Um assunto difícil que precisa ser falado

A violência, além de cruel por si, é mais perigosa quando passamos a normalizá-la.

Podemos tentar fugir. Restringir os conteúdos que chegam até nós nas redes sociais. Usar filtros que indicam cenas fortes, gatilhos.

Infelizmente nada disso faz com que a violência deixe de existir.

É necessária toda uma articulação para combater os estigmas que seguem presentes em nossa sociedade. E o primeiro passo é falar sobre eles.

Em 2021, 98 crianças e adolescentes de até 13 anos foram estupradas por dia (Fórum de Segurança Pública/Instituto Liberta). Isso representa 35.735 vítimas, nessa faixa etária, no ano. Sendo que em 85% dos casos as vítimas eram meninas e 80% dos estupradores pessoas próximas como pais, padrastos, irmãos, primos, tios...

Ou seja, 98 vidas marcadas por um trauma, que em grau maior ou menor podem ter dificuldades de confiança, passar por um longo processo de (re)construção da autoestima, ou ter problemas com a própria sexualidade no momento em que ela deveria ser algo natural.

 

 

Isso para falar de algumas das consequências psicológicas. Porque existem as físicas também, e a gravidez é uma delas.

Se uma gravidez não planejada na adolescência já tem grandes impactos, que podem ir da evasão escolar à renúncia de oportunidades, quando ela decorre de uma violência não deveria estar em questão a defesa do direito ao aborto.

A lei prevê a interrupção da gravidez em três casos: estupro, risco à vida da mulher e anencefalia do feto.

Passar por um aborto nunca será algo fácil.

Ninguém quer passar por um.

Seja quando ocorre de forma espontânea ou não. E realmente deveria ser a última opção a ser escolhida, quando todas as demais falharam. Mas contar com esse recurso, ainda mais nos casos já previstos em lei, não deveria ser tão burocrático e alvo de julgamento sobre as meninas e mulheres que precisam dele.

O @oadalbertoneto explicou muito bem nesse vídeo sobre uma comparação inadequada que vemos muito nas redes sociais, falando que o abandono paterno é o aborto mais legalizado no Brasil. Não devemos comparar o que é uma escolha da mulher, um direito sobre seu corpo, com a irresponsabilidade de abandonar um filho.

É compreensível o discurso de quem se coloca contra o aborto do ponto de vista ético. Da mesma forma que temos outras escolhas pessoais como a de não comer carne ou não consumir de marcas e empresas que não sigam boas práticas. Você pode ter seus valores e segui-los em sua vida, mas precisamos ter consciência de que as pessoas vivem realidades distintas e têm suas próprias concepções do que é melhor a fazer. Devemos ter liberdade para fazer nossas escolhas em qualquer situação.

Foi Simone de Beauvoir que disse:

 

No caso dos Estados Unidos, com o fim da garantia do direito ao aborto em todo o país, delegando aos estados a decisão de permitir ou não a prática, abre-se um precedente perigoso para qualquer outra lei criada para proteger, incluir ou beneficiar uma determinada população. Não se trata de ser conservador ou progressista. Toda perda de direitos é um regresso. Em 2020, quando a Argentina tornou o aborto legal vimos a comemoração de mulheres na rua, felizes pela conquista política que significava o fim dos procedimentos clandestinos de risco, de mortes de mulheres que poderiam ser evitadas. De forma geral, nos países onde o aborto é legalizado, a tendência é a de que o procedimento tenha queda ao longo dos anos.

 

 

Melhor do que passar horas discutindo se somos a favor ou contra o aborto seria falar da importância da educação sexual como forma de prevenção à violência, à gravidez indesejada e às ISTs. Cobrar a disponibilidade dos métodos contraceptivos, estimular seu uso e não tratá-los como um tabu.

Descriminalizar o aborto para salvar vidas, educar as próximas gerações, combater a violência para que, assim, talvez ninguém mais precise de um aborto. Esse é o caminho.

 

Uma boa semana!


Definir não é limitar 🌈

Estamos na semana do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+ em um mês que a diversidade e o respeito são temas falados em todo lugar.

Mas quando falamos de orgulho estamos falando muito mais do que aceitação e amor próprio.

Devemos sim ter orgulho de cada característica que faz a gente ser quem é. Nossa sexualidade, a forma como vivenciamos o amor, é uma delas. Mas somos muito mais complexas que isso.

Chegamos nesse mundo como telas em branco e ao longo dos anos vamos ganhar nossas próprias cores, definir o que gostamos, o que queremos expressar, como vamos deixar nossa marca nos lugares que vamos passar e nas pessoas que vamos encontrar.

 

 

O que não dá para entender é como uma, dentre tantas coisas que nos definem, pode ainda ser alvo de preconceito, violência e de exclusão.

A essa altura deveríamos ter a liberdade para apenas ser, amar, viver.

Talvez a inclusão que precisamos passa justamente por pararmos de tentar encaixar as pessoas em caixinhas, sejam elas quais forem, e passar a enxergar todos como humanos cheios de potencialidades que vão muito além das que declaramos ou que são visíveis.

Infelizmente quando o assunto é educação e mercado de trabalho, muitas pessoas da comunidade LGBTQIAP+ ainda têm dificuldades a mais.

A adolescência, um período que de forma geral é difícil para todo mundo, por estarmos no processo de descobrir quem somos e qual o nosso lugar no mundo, com sentimentos muito intensos, é muito pior quando aquilo que você é se torna alvo de bullying. E nas salas de aula, 68% os estudantes trans afirmam já terem sofrido agressões verbais e 25% foram alvo de agressões físicas.

Fugir à heteronormatividade, pode significar uma incidência de 45,5% de ao menos um transtorno emocional, geralmente depressão e ansiedade, enquanto entre os heterossexuais este número é de 26,42%.

E num mercado de trabalho complicado para todos os brasileiros, 41% das pessoas LGBTQIAP+ afirmam ter sofrido algum tipo de discriminação em razão da sua orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente de trabalho. Já 90% das travestis se prostituem por não terem conseguido nenhum outro emprego, até mesmo as que têm boas qualificações.

Temos notícias estarrecedoras como a de que cirurgias de redesignação sexual poderão ser restringidas pelos planos particulares de saúde. Enquanto pelo SUS é possível conseguir a hormonioterapia e cirurgia, apesar dos relatos de demora e burocracia.

Sem contar o monte de frases que já deveriam ter sido banidas de todas as conversas como “nossa, mas você não parece gay”, “que desperdício”, “você não é bi, só está com medo de se assumir”, “você parece homem/mulher de verdade”, entre tantas outras.

Mas nem tudo é ruim. Um relatório mostra que a comunidade LGBTQIAP+ teve 456 conquistas em todos os continentes ao longo de 2021, sinal de que a luta constante gera sim progresso.

 

 

"O amor é muito bonito para ser escondido" - @sundaekids

Então mais do que um dia ou mês do orgulho, que têm sim sua importância para a conscientização, é preciso lembrar que todo dia é dia de abraçar quem se é, se amar, mesmo num mundo que insiste em ser hostil. É o mundo que precisa mudar, não a gente!

Grande beijo e #happypride 🌈

 


Sobre o medo de amar

Ei, mulher! Como vão as coisas? 

Espero que estejam bem!

Eu sou um dos frutos de uma relação que já foi muito tóxica, e crescer num ambiente de hostilidade, sofrimento e violência causam marcas tão profundas, que é até difícil traduzir em palavras. Mexe com a nossa autoestima, com a noção que temos  de merecimento, e faz com que a gente banalize situações desrespeitosas. 

Eu cresci desesperada por amor, aceitava qualquer migalha de afeto, qualquer gesto de carinho, e tinha (ainda tenho) uma necessidade absurda de agradar gregos e troianos. Mas isso desgasta demais! Me meti em tanta relação falida, que cansei de tentar e comecei a fugir de relacionamentos amorosos. Meu status civil é: à espera de um milagre! Infelizmente, eu tô falando sério. 

A vida vai passando e a gente foca em progredir profissionalmente, conquistar as nossas coisas e, no meu caso, ser 100% independente. Depender de um homem? Jamais! Foi assim que a minha mãe passou anos sendo humilhada e maltratada, eu não queria o mesmo destino, e foquei em mudar a minha história. 

Mas eu não quero ser só a mulher que cuida, também quero ser a mulher que é cuidada, mesmo que lá no fundo, essa ideia me traga uma certa resistência. 

Sim, eu sei que você deve estar pensando: "Você não precisa de um homem para ser feliz e etc", e não preciso mesmo, mas, quero. Esse é o ponto!

Eu quero ter um relacionamento e um colinho pra deitar nos dias difíceis, quero ter uma história de amor para contar para os meus netos.

Sim! Eu também quero ter filhos! Ai de nós que somos românticas, né? Rs!

A minha terapeuta me diz, pelo menos uma vez por mês, que eu tenho que parar de sabotar as minhas relações e, também, parar de fugir dos meus sentimentos. Porque só assim, eu vou conseguir me libertar para viver uma história que caiba outro alguém. Como é que pode a gente adiar uma coisa que quer viver, porque tá com medo? Às vezes, me pego pensando em como o ser humano é complexo, para não dizer completamente louco. Rs! 

Mas seguimos por aqui, cuidando da mente e do coração, porque no fim a mensagem que fica pra mim é: Se você tem medo do amor, tem coragem pra quê?

O amor cura!  

Ps: Queria agradecer todas as DMS que recebi sobre o meu texto do mês passado. Eu prometi pra mim mesma que essa newsletter ia ser mais leve, mas sei lá, ando numa fase meio verdadeira e visceral demais. Prometo, mais uma vez, tentar fazer a próxima ser pra cima, torçam aí por mim! 

Metade do ano passou (ou talvez não rs) e eu me encontro 100% assim

A- COR- DA Pedrinho e outras músicas que o Tik Tok transformou em hit.  

Ara, o elenco de Pantanal nos fazendo querer participar dos bastidores da novela. 

Comer peixe pode ser sustentável? (Em inglês) 

Licença menstrual é mesmo um benefício? 

Como as mulheres administraram sua menstruação ao longo do século? 

Eu não sei vocês, mas eu sempre tive curiosidade de saber mais sobre a margem de confiança de pesquisas, e achei esse vídeo bem explicativo. 

Esse meme sobre a Balenciaga me tirou umas boas risadas, mas tem muita coisa interessante sobre a marca. 

Falando em moda, cês ficaram sabendo da parceria do Free Free com a Allmost Vintage? Além de ter peças lindas uma parte do lucro vai ser revertida para o Instituto Free Free para libertar ainda mais mulheres pelo mundo, corre aqui pra ver.  

Quero todo mundo assim a partir de hoje, hein! 

É Hit. 

Alô geração MTV, esse é o nosso momento! No mês do orgulho LGBTQIA+ eu só consigo lembrar desse clipe que chocou muita gente na época, pra mim ele é um clássico e essa música é um hino. 

E vamos enaltecer essas rainhas aqui também ❤️

 

Bora ler?  

O ano em que disse sim -  Shonda Rhimes. 

É um livro sobre a vida da Shonda e toda uma série de mudanças que começaram quando ela começou a aceitar os convites e se permitir fazer coisas diferentes. É perfeito como tudo que a deusa Shonda coloca as mãos.

 

 

Para assistir: 

Irmandade - NETFLIX 

É uma série sobre facção, sobre família e principalmente sobre sistema carcerário. Causa boas reflexões, tem uma trilha sonora incrível e ainda tem o Seu Jorge no elenco, é 10/10. 

 

Até mais! 

 

Curtiu essa edição? Compartilha com as migas e vamos espalhar a palavra do Free Free por aí. 

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A gente acredita em moda que cura

Minha paixão pela moda começou quando tinha uns 5 anos.

A moda me transportava para lugares mágicos onde eu podia me transformar em quem quisesse.

Aos 22 anos comecei a trabalhar na Vogue. Aos 24 me tornei editora e responsável por grande parte das capas que vocês viram nos últimos anos da revista. Naquela época meu trabalho na moda virou não só minha alegria, mas meu primeiro socorro depois da perda da minha mãe.

A moda não só trouxe cor para minha vida, mas mostrou que ali existia uma mulher forte, criativa, líder e que não tinha medo de sair da caixa.

Aos 28 anos, grávida da minha filha Violeta, percebi que meu caminho na moda estava mudando. Estava no ápice da minha carreira. Tinha recentemente feito capas com a Rihanna, Kim Kardashian, Naomi Campbell, Gisele Bündchen e comecei a perceber que a moda não só mudava como eu me sentia sobre mim e me expressava pro mundo, mas mudava também a forma que aquelas mulheres poderosas se sentiam sobre si também.

Os meus 11 anos de Vogue se tornaram a grande escola que eu precisava para criar a Free Free, porque a autoestima da mulher é a grande base para sua liberdade. Eu acabei saindo da moda e abri a Free Free, esse ecossistema de impacto que trabalha pela liberdade física, emocional e financeira da mulher, mas mais que isso: trabalha para a mulher aprender a voltar para casa, para o seu eu verdadeiro. Aprender a expressar sua verdade sem medo. Voltar a se reconhecer em um mundo que não é tão gentil com as mulheres. E a moda é uma das grandes ferramentas que usamos nesse processo.

Hoje, nos unimos com a Allmost Vintage, porque a moda tem esse espaço de acolhimento, coragem e expressão.

Aqui vocês vão conhecer um pequeno teaser dessa união Free Free + Allmost Vintage (porque tem novidade grande vindo mais pra frente) e o trabalho de um grupo de mulheres criativas que fez tudo isso acontecer.

Parte do lucro da parceria será destinada ao Instituto Free Free para que possamos apoiar mulheres que precisam desse colorido para recomeçar. Essa coleção é fruto da educação, do amor, da voz e do poder das mulheres. São quatro peças pensadas com carinho, feitas por mulheres e pela liberdade de todas as mulheres do nosso Brasil. As peças estão disponíveis aqui.

A gente acredita em uma moda que cura, que liberta, que expande. E você?

Juntas somos livres


Na vida não existe atraso

Olá você!

Que carinhosamente chamamos de Freefree, pois se está aqui, é porque assim como nós, acredita que um mundo com mais liberdade é melhor.

Essa minha primeira newsletter assinada coincide com a semana do meu aniversário e não sei você, mas essa data sempre me faz refletir sobre de onde vim e aonde quero chegar. Mais do que o ano novo até, quando bate aquele cansaço, pensamos no que precisa ser finalizado e o que poderá ser jogado para o ano seguinte.

Então queria compartilhar um pouco do que aprendi nesses 33 outonos, e acho que você também pode se identificar.

É fato que o tempo passa e que não há nada que possamos fazer para impedir isso.

Mas a nossa relação com o tempo deveria ser mais natural e com menos cobranças.

Porque não existe um cronograma do sucesso, de metas que devemos cumprir até determinada idade para estar no timing correto das fases da vida.

 

 

Felizmente há uma aceitação cada vez maior de que nem todas as mulheres querem ser mães, de que tudo bem mudar totalmente de carreira, fazer uma nova faculdade e começar do zero em qualquer momento da vida. E que relacionamentos são bons enquanto forem satisfatórios, sem limite de idade para viver um novo amor...ou vários.

Conscientemente sabemos disso, somos mulheres mudééérnas, independentes, livres, determinadas... mas não é sempre que sentimos esse empoderamento todo né?

 

 

Tem dias que o pensamento sobre como seria viver outra realidade passa pela nossa mente. Que desejamos ter mais do que já temos, que nos sentimos angustiadas como se estivéssemos perdendo um tempo vital para realizar e construir o que desejamos.

E é muito ruim quando nossas expectativas se tornam cobrança.

Pior ainda, uma cobrança de nós mesmas, aquela voz na nossa mente que nunca dá sossego. Afinal, é errado estar satisfeita com uma vida mediana? Todas deveríamos buscar sucesso? O tempo todo?

Não existe uma resposta simples de sim ou não para essa pergunta, mas o que devíamos estar constantemente exercitando é não sofrer, sentir culpa ou se cobrar por aquilo que falta. Dar uma folga para nós mesmas!

Não somos obrigadas a querer e perseguir o sucesso, que é bastante relativo e pode mudar sua concepção em diferentes fases da nossa vida.

Também precisamos deixar de lado a necessidade de validação para nos sentirmos satisfeitas com nós mesmas. Claro que é bom saber que somos admiradas e reconhecidas por nossos esforços, ou simplesmente por ser quem  a gente é, mas precisamos mesmo dos outros para nos sentir assim?

Podemos praticar a autoapreciação, dar aquela moral para nós mesmas, ser a voz amiga que diz “fica tranquila que você está indo bem!”.

 

 

Parar de achar que somos obrigadas a viver em uma busca alucinante de novas e novas conquistas. Até porque eu acho que se for pra ser obrigada, nem feliz a gente precisa ser.

Devemos aceitar que os mais variados sentimentos vão passar por nós, que vamos ter momentos em que estaremos no pique de correr atrás do nosso crescimento, de novidades, de nos expandir, e outros que estaremos mais introspectivas precisando de acolhimento (nosso mesmo) ao invés de cobranças.

Saber também que temos infinitas chances de recomeçar, de viver um novo ciclo a qualquer momento.

Que a vida não é um jogo que vencerá aquela que preencher uma tabelinha de quesitos antes das demais.

Que podemos e devemos respeitar o nosso tempo, seja ele qual for.

Pelo menos é o que eu espero desse novo ciclo.

Acho que maturidade é isso, não ter pressa, ficar aflita, desapegar da ideia de perfeição e de que temos etapas a cumprir.

Talvez a minha versão ainda mais madura discorde, mas tenho certeza que viver assim, com mais aceitação e menos cobrança, é libertador.

 

 

Para ver, ouvir, ler e se inspirar

No ano passado a HBO lançou o documentário “Jagged” sobre a vida e carreira da cantora Alanis Morissette, mas acabei vendo só por esses dias. Além de ficar arrepiada de escutar novamente algumas das músicas que fizeram parte da minha pré-adolescência, agora mais velha, com mais vivências, revisitar as letras e entender o quão profundas elas são foi uma experiência e tanto. O documentário aborda muitos, mas muuuuitos temas fundamentais e atualíssimos, como se permitir sentir, o impacto da indústria cultural na saúde física e emocional das mulheres, o assédio e o processo de entender que você foi uma vítima de abuso, a mentalidade da escassez (a crença de que não tem espaço para todas as mulheres, ainda mais em um cenário em que se é pioneira). Tudo que acreditamos e defendemos, a Alanis já estava falando lá nos anos 90! Vale muito assistir, embora haja alguma controvérsia, porque a própria cantora, que concedeu uma entrevista para a produção, discordou de alguns recortes feitos no filme. Mas como expectadora, a minha impressão é que quem fez o documentário é fã da cantora e quis exaltar sua força.

 

A Biblioteca da Meia-Noite é um livro muito bom para quem está precisando de um pouquinho de esperança. A obra de Matt Haig conta a história de Nora Seed, uma mulher de 35 anos que, apesar de muito inteligente e talentosa, sente não ter conquistado nada em sua vida e lamenta suas escolhas. As coisas começam a piorar e a protagonista não vê mais um motivo para continuar vivendo. Nesse limiar entre a vida e a morte, ela tem a possiblidade de vivenciar todas as diferentes vidas que poderia ter vivido se tivesse feito escolhas diferentes. É um livro metafísico e reconfortante ao mesmo tempo, com bastantes reflexões filosóficas que nos fazem colocar os nossos próprios problemas em perspectiva. Os capítulos são curtos e o autor escreve de um jeito muito agradável, o que dá ainda mais vontade de não parar de ler. Se a temática pode parecer “pesada”, o efeito que ele causa é justamente o oposto, de leveza e bem-estar.

Quer saber um pouco mais sobre os arquétipos femininos? A Lila Mesquita fala sobre como essas representações universais das potencialidades que todas nós carregamos ajudam a enxergar os paradigmas e crenças que nos foram atribuídos ao longo dos anos, lá no podcast Cheia de Camadas.

Um grande beijo e até a nossa próxima conversa!


12 sinais de abuso nos relacionamentos, trabalho e amizades

Oi Freefree! Como você está?

O tema dessa semana é o abuso psicológico. É muito importante trazer esse assunto porque nem sempre é tão óbvio que estamos passando por um. Às vezes essas pequenas violências são tão sutis que nos fazem questionar a nossa própria percepção sobre eles.

O abuso nem sempre é físico ou deixa marcas visíveis, mas o impacto da violência psicológica está longe de ser inofensivo, além de ser algo que impede a liberdade emocional de muitas mulheres.

 

 

Separamos aqui alguns sinais de abuso psicológico nos relacionamentos afetivos, de trabalho e amizade para você identificar se passa por algum deles.

 

1 –Culpa – a pessoa faz com que você se sinta culpada até por coisas que não fez. Você sente que está constantemente se desculpando

2 – Dependência emocional – a pessoa faz você se sentir inferior, fala coisas como “você nunca vai encontrar alguém como eu”, ou “quem gostaria de você?”, faz comentários que abalam sua autoestima

3 – Controle – a pessoa quer saber onde você está, com quem, monitora seu celular e com quem você fala. O controle muitas vezes é disfarçado como se fosse cuidado

4 – Dependência financeira – a pessoa passa a gerir seus bens e recursos, fazendo com que você precise dela para qualquer decisão

5 – Negging – a pessoa elogia ao mesmo tempo em que te critica como “você é tão bonita, se fosse mais alta/magra poderia ser modelo”

6 – A pessoa tenta te moldar ao gosto dela, reclama das suas roupas ou do seu corpo, fala que prefere que você use ou não maquiagem, fala que suas escolhas são inadequadas

7 – Manipulação/chantagem – tem cobranças, a pessoa ameaça terminar se não for feito o que ela quer

8 – Ciúmes excessivo

9 – Isolamento – a pessoa reclama ou tenta te afastar do convívio com amigos e familiares

10 – Você esconde coisas por medo de ser julgada ou criticada

11-  Gaslighting – a pessoa distorce os fatos, fazendo você questionar sua percepção do que aconteceu

12- Agressão mesmo que indireta, como socar a parede ou gritar

 

 

1 – A pessoa te coloca em uma situação difícil de dizer não

2 – Discriminação sobre sua opinião, origem, gênero, orientação sexual ou religião

3 – A pessoa te coloca em situações de constrangimento ou humilhação

4 – Você passa por agressões verbais ou xingamentos

5 – Cobranças impossíveis ou metas inalcançáveis

6 – Punições injustas

7 – Apelidos pejorativos ou ligados a atributos físicos

8 –Ameaças e intimidação como demissão caso se recuse a fazer algo

9 – Contato físico não autorizado

10 –Apropriação indevida das suas ideias, trabalho ou produção

11- Culpabilização por tirar folga ou férias

12 – Solicitação de atividades incompatíveis com a sua função

 

 

1 - Competição – você se sente em uma constante disputa em todos os aspectos

2 - Diminui suas conquistas

3 – Te coloca pra baixo, é pessimista, fala que algo não vai dar certo e que só está avisando para o seu bem

4 – A pessoa só foca nela, não há troca e você dá mais do que recebe

5 – Drama excessivo e tentativa de te tornar responsável por algo negativo

6 – A pessoa tenta discretamente te humilhar em público ou conta coisas que não deveria

7 – Você não confia e deixa de falar o que sente para evitar conflito

8 – A pessoa te cobra ou faz sentir culpada quando você está com outros

9 – Estimula comportamentos ruins em você, como beber demais, e você não gosta da versão que é quando está
com essa pessoa

10- A pessoa fala de mal de você, mas se você confronta ela nega

11 – A pessoa se faz de vítima quando você cobra ou critica

12- A pessoa nunca cede ao que interessa a ela, mas você tem que ceder

E o que fazer se estiver passando por uma situação assim?

Às vezes sentimos um aperto no coração, uma sensação de incômodo e nem sabemos ao certo o porquê. Por isso é importante estar atenta aos sinais de alerta e nunca duvidar de si mesma.

É preciso ser firme na decisão de terminar um namoro ou casamento, se afastar da amizade, buscar outro emprego ou se posicionar no atual. É válido conversar com outras pessoas que não estão envolvidas e pedir sua opinião. Buscar terapia ou ajuda profissional para cuidar de si mesma também pode contribuir muito.

De forma geral, cortar o mal pela raiz é a melhor atitude. Delimitar seu espaço, escolher seu bem-estar.

 

 

Não tenha medo de ficar sozinha ou das consequências.

Sua liberdade não é compatível com relacionamentos abusivos. Por mais difícil que possa parecer, saiba que você é capaz de sair da situação e que uma convivência saudável não só é possível, como o mínimo que devemos ter.

Um beijo e uma ótima semana!

 


Nossa nova casa está pronta e aberta para você!

Oi Freefree!

Yasmine hoje aqui escrevendo para vocês.

Todas nós precisamos de um lar. Muitas vezes não nos sentimos seguras nem mesmo nas nossas casas. Seja por uma situação instável familiar, seja porque vivemos em uma zona perigosa.

Eu vivi assim minha infância e adolescência inteira.

E lembro que naquela época tudo que eu mais sonhava era que um dia eu pudesse ter minha própria casinha.

Uma casa onde eu me sentisse segura e alegre. Uma casa onde fosse permitido ser eu mesma. Onde eu pudesse brincar, dançar, me divertir sem medo.

Quando fundei a Free Free em 2018 logo em seguida abrimos a Casa Free Free, lá na Vila Madalena em São Paulo, com exatamente esse intuito. Era o nosso cantinho mágico, nosso lar, nosso aconchego.

 

O lugar onde nos encontrávamos, fazíamos rodas de conversas, workshops, era onde todos os nossos projetos surgiam. As paredes eram todas peludinhas, ambientes lúdicos e interativos. Tinha um deck aberto para aquele momento sagrado de meditação, obras de arte criadas por mulheres, desenhos que ganhamos de meninas e adolescentes que impactamos, as roupas de upcycling feitas pelas comunidades de mulheres lindas do nosso Brasil. Tava tudo lá.

 

E o que é um lar se não o lugar onde nos sentimos à vontade, onde sentimos que podemos ser nós mesmas?

Pois bem, montamos a nossa casinha com muito amor para que tivesse a nossa cara.

 

E aí veio a pandemia...

Para nos proteger e também os nossos familiares logo passamos para o formato home office. Um formato que foi bastante viável apesar de não ter o mesmo calor da convivência.

O tempo foi passando e nada da crise sanitária recuar.

Não fazia mais sentindo manter uma estrutura física, até porque com a mudança das nossas atividades conseguimos digitalizar grande parte dos nossos projetos e atuação.

Aceleramos nosso impacto ainda mais, deixando tudo mais eficiente diante das terríveis notícias de que muitas mulheres perderam seus empregos, que não conseguiam comprar alimentos para sua família, do aumento de ocorrências de violência doméstica com todo mundo em casa por causa do isolamento.

Não sem dor, tomamos a decisão de deixar nossa casinha amada e focar no que mais importava naquele momento.

Mas sabe como é, sempre tentamos encarar a vida com resiliência, não carregar tralhas que não cabem no coração, praticar o desapego, reciclar, reutilizar, dar nova vida ao que está parado. Acabou que desmontar a Casa Free Free foi um exercício bastante catártico.

E de lá para cá tanta coisa aconteceu. Estar em movimento é o que a gente gosta!

Nosso trabalho que sempre focou em ações presenciais, em encontros cheios de reciprocidade, teve que migrar para o digital. Começamos a escrever essas newsletters para ficarmos mais próximas de você e contar tudo o que estava acontecendo (ou só para bater um papo mesmo!). Fizemos grandes campanhas com pessoas importantes, cada uma gravando sua parte em casa, com toda a segurança. Fizemos um summit internacional com uma professora de Harvard para falar como a equidade é uma forma de ter um país mais estável e desenvolvido.

E agora, como você já deve saber, nasceu o Free Free World. Crescemos, transbordamos e ampliamos a nossa atuação para 5 países. E queremos ir mais longe!

Mas nunca abandonamos a ideia de ter o nosso cantinho. Um lugar onde todas são bem-vindas, onde vamos acolher qualquer mulher e ajudá-la a se libertar de suas dores, seus traumas, sua culpa.

E a novidade é que agora você tem uma casa para chamar de sua, nossa.

Onde sonhar é possível. Onde se enxergar em um lugar colorido e lúdico é real. Um lugar que sempre que você precisar é só ir até lá pra respirar, recarregar e seguir. Afinal, esse é o grande papel do nosso lar né?

Por isso que a gente, sempre comprometidas com a inovação, criamos a nova Free Free House no metaverso! Simmmmmm  e você é nossa convidada para conhecê-la em primeira mão aqui.

 

 

O metaverso ainda está sendo difundido, mas por lá você consegue ter a vivência em realidade virtual (para quem já tem os óculos de RV) ou da forma mais simplificada.

Que lugar melhor para ter a nossa sede se não em um espaço coletivo, virtual e compartilhado? Uma casa que todas vocês podem ir, de qualquer lugar do Brasil ou do mundo. Sabe as fronteiras físicas? Agora não temos mais. Isso é um grande sonho realizado!

 

 

Lá você vai encontrar vídeos, exposições de arte e informações sobre a Free Free. Faremos eventos que todo mundo poderá participar, independente de onde estiver fisicamente, e teremos um espaço exclusivo para conversar, trocar experiências, desabafar. No andar de cima você vai encontrar nossa sala de meditação. Sabe aquele momento que você tá à beira de um burnout? Respira…

Nossa Free Free House é esse lar. Esse lugar que você pode chamar de seu. Esse lugar que te lembra que a vida também pode ser COLORIDA. Que mesmo em dias difíceis, o nosso lar somos nós que criamos dentro da gente, com as nossas emoções, presenças, sonhos.

 

Em breve mandaremos mais instruções de como acessar e participar desse espaço.

Feliz demais de poder trazer esse sonho pra vocês, minhas amigas.

Juntas somos livres.

Quando uma mulher se liberta, ela tem a força de libertar milhares de mulheres ao seu redor.

Um beijo grande,

Yasmine


Machucados invisíveis

Tudo bem com você? <3

Espero que sim, que você esteja firme, forte e saudável.

E por falar em saúde qualquer coisa que tira a gente do nosso estado normal é péssimo né?

Da chata rinite alérgica a uma dor de garganta. Ou aquela dor de ouvido que atrapalha toda a nossa atenção. Ou ainda o resfriado que derruba e aí o jeito é descansar até melhorar.

Mesmo uma ferida que precisamos tratar, tomar remédio para não infeccionar e ter paciência enquanto a cicatrização acontece, também é um incômodo indesejado.

É desagradável ter algo que dói e não poder acelerar o processo.

Mas e as dores que não são físicas? Elas também doem, tiram nosso foco, incomodam e... precisam ser curadas.

Quando falamos em curar, isso significa que vai ter algum tempo envolvido. Se às vezes, por motivo de saúde física, precisamos nos afastar do trabalho para o nosso corpo melhorar, a saúde emocional merece a mesma atenção. Temos a tendência de tentar minimizar essas dores e sabemos que, na prática, não podemos deixar a peteca das nossas responsabilidades cair. Mas simplesmente continuar, tentar forçar e manter a rotina ignorando o que estamos sentindo não é saudável.

Aliás, muitas vezes uma dor invisível é muito mais difícil de curar do que a de um machucado físico. Nosso corpo, nossa biologia tem seus próprios mecanismos de cura. Já a nossa mente parece querer ficar “cutucando a ferida”, reabrindo mágoas passadas, ampliando o nosso sofrimento.

 

E são complicadas essas feridas que não saram. Pode ser um trauma da infância que te marcou até hoje, um padrão que continua se repetindo na sua vida. Ou algo recente e pontual que simplesmente insiste em te perturbar.

Às vezes apenas tempo é tudo o que precisamos para processar uma dor. Em outros casos precisamos providenciar a cura de uma forma mais ativa.

Cuidar da gente, procurar o que nos faz bem, desabafar ou buscar um profissional que nos guie quando tudo parecer muito difícil de processar. Não é fraqueza precisar de acolhimento. Apenas o fato de falar, de colocar para fora e receber uma nova perspectiva do que nos aflige já faz uma grande diferença.

 

O importante é saber que por mais profundas que sejam, essas dores invisíveis também podem ser curadas.

É possível ressignificar um trauma, superar uma perda, voltar a se sentir bem. Retornar ao nosso estado normal.

O mais grave é quando a dor que não é física começa a se manifestar de forma sintomática. E isso pode ser mais leve, como um cansaço ou falta de ânimo para fazer nossas atividades, ou mais grave chegando a um burnout ou colapso.

 

 

Podemos ainda tentar as fugas, em suas várias possibilidades. Tudo para amenizar a sensação de dor do momento, ignorar até passar, deixar para a nossa versão do futuro lidar. Mas essa é uma solução provisória que pode funcionar, se é apenas de tempo que precisamos, ou pode piorar algo que não deveria ser deixado de lado.

E quando a dor não é nossa, mas de uma pessoa próxima ou de alguém com quem convivemos, não devemos tentar diminuir esse sofrimento através de uma simples recomendação. Por mais que a intenção seja boa, quando falamos um “que bobagem, para de ligar pra isso”, podemos dar um peso maior ao que o outro está sentindo. Nós nunca vamos saber toda a bagagem dessa pessoa, seus machucados e a motivação dela sentir a dor que sente em uma intensidade maior ou menor. Se ela está te contando é porque precisa de apoio, de carinho, de um ombro amigo e não uma ordem de “desligue esse sofrimento”.

 

Todas nós temos algo para curar e precisamos do espaço para isso.

Liberte-se do que pesa na sua alma, que faz seu coração ficar apertado.

Sua força sempre será maior do que aquilo que te machuca, mesmo se no momento você não estiver sentindo isso.

Não negligencie sua dor que não é visível. Se cuide como um todo.

Beijos e boa semana!


Sobre mães e perdas

Ei, mulher! Como estão as coisas? 

Por aqui andam meio estranhas. 

Ontem, foi um dos dias mais difíceis da minha vida, eu enterrei um bebê. 

A minha sobrinha morreu ainda na barriga da mãe, aos 7 meses de gestação, e nessa hora não tem muito o que dizer, a gente vê a vida invertendo a sua ordem e um serzinho tão esperado indo embora, antes mesmo de chegar. Maya tinha o nome de umas das mulheres negras mais famosas do mundo, era também a minha primeira afilhada, a primeira neta da minha mãe e a primeira filha da minha irmã. 

Enterrar um caixãozinho tão pequeno é doloroso demais! Eu, que odeio ver qualquer coisa ruim acontecendo à uma criança, saí destruída do cemitério depois de passar minutos observando vários mini túmulos.

 A gente não tem ideia de quantas crianças morrem por dia, algumas com uma vida breve, outras, como a Maya, que nem chegaram a dar o primeiro chorinho. 

Nesse processo de descoberta da morte, do parto induzido e do funeral, pensei em como nunca dei muita atenção ao luto das mulheres que perderam seus bebês, parece que o fato da criança não ter um rosto, certidão ou um nome, anula a sua passagem na vida das pessoas, torna esse luto invisível. Essas mães não recebem empatia, nem condolências; é como se não pudessem sofrer por seus filhos que sim, existem, apesar da partida precoce. 

A maternidade não começa a partir do parto, começa com os planos, com a compra de cada roupinha, com a escolha do nome e com a expectativa que nasce dentro dessas mulheres desde o exame positivo. A conexão entre mãe e filho existe muito antes da bolsa se romper, algumas pessoas mais ligadas à espiritualidade acreditam que em outro plano nós já escolhemos quem vai nos trazer para esse mundo, acreditando ou não nisso, a gente sabe que gravidez é a vida acontecendo.  

A Maya existiu e existe, assim como tantas outras crianças. Ela despertou diversos sentimentos nas pessoas ao seu redor, ela faz parte das nossas lembranças e é uma parte da nossa história. A minha irmã é mãe, mesmo que não tenha sua filha nos braços, assim como tantas outras mulheres

Quando nasce uma mãe, nasce uma culpa. Um episódio da primeira temporada do Papo Free Free com a chef Renata Vanzetto que vale muito a pena escutar mais uma vez.  

Pessoas que odeiam crianças e como isso impacta a vida das mães. 

Muitas mulheres sofrem para conciliar trabalho e casa 

Estar grávida não é tão legal. 

Crianças tem que aprender a lidar com seus sentimentos 

Primeira infância na rua e as vidas que a estatística ignora

É possível dar autonomia de gênero aos filhos? 

As mães podem deixar seus filhos? 

Agora que a expectativa de vida aumentou é bom entender mais sobre a menopausa

Convide uma mãe, mesmo que ela não vá. 

Meu hit 

Saiu uma matéria sobre como podemos esquecer tudo, menos as músicas que marcaram momentos da nossa vida. 

E tem som que vem cheio de lembranças, Avôhai é um desses, era a canção favorita da minha avó e uma das que mais me lembra a minha mãe. 

Vale a pena assistir: 

WeCrashed é uma série com Jared Leto (numa atuação melhor que a do Coringa, juro) e Anne Hathaway que conta a história do We Work uma empresa que passou por poucas e boas quando entrou na bolsa de valores, ele é um bom exemplo de loucuras que os empreendedores fazem. Talvez eu tenha me interessado na série por trabalhar em um dos prédios do Coworking, mas juro que é interessante, você fica o tempo todo se perguntando onde as pessoas estavam com a cabeça, mas é uma boa história rs. 

Dedico essa primeira edição as mulheres mais importantes da minha vida: Minhas avós, minha mãe, minha irmã e a minha sobrinha Maya ❤️


Para as mães millennials

Na semana passada falamos sobre a escolha de ser ou não ser mãe, e como costumamos ser julgadas em ambos os casos.

Hoje, logo depois do Dia das Mães, nosso papo é sobre elas, mais especificamente sobre as mães millennials.

Se não for o seu caso fica aqui também porque como filha, amiga, irmã, essa mensagem também é para você.

Sabemos que existem mães da geração Z, maternando e compartilhando vídeos no TikTok com direito às dancinhas e tudo.

 

Mas queremos focar nas mães da geração Y, ou millennials, que são as mães que hoje estão com seus 28 a 35 anos, um pouco mais também.

Porque essas mulheres já tiveram um direcionamento diferente em sua criação. Suas mães talvez tenham engravidado cedo, com seus 20 e poucos anos, mas criaram suas filhas falando da importância de construir uma carreira, de ser independente, de buscar seus sonhos. E não são incomuns as mulheres que hoje, em 2022, com seus 30 anos, não se sentem nada prontas para serem mães.

Que ainda preferem a noite não dormida na balada do que a noite não dormida amamentando e trocando fraldas.

 

 

Que preferem o estresse de um novo projeto no trabalho do que o estresse de ter que correr com o filhote para o PS quando ele fica doente.

A Revista Crescer fez um levantamento sobre o perfil das mães millennials, que não abrem mão de sua liberdade e independência, mas tentam conciliar carreira, maternidade e vida familiar. Uma em cada três tiveram seu primeiro bebê entre 31 e 35 anos e 37% delas têm salários maiores ou equiparados aos dos seus companheiros.
Na apertada administração do tempo, 54% delas querem ficar mais com os filhos, sendo que 77% dedicam quatro horas ou mais por dia aos cuidados maternos – um tempo esse que, para 45% delas, é suficiente.

E nesse embate que toda mãe que trabalha sente, entre “o que preciso fazer” e “o que consigo fazer” é natural se sentir sobrecarregada, mesmo essa geração contando com mais apoio dos companheiros do que as anteriores.

Até quando se tem uma boa rede de suporte, a maternidade pode ser bastante solitária. Se na gravidez tudo o que você faz se torna de domínio público, com todo mundo falando o que você pode ou não pode fazer (como se você não soubesse) ou dando pitaco no seu peso, se está abaixo do esperado ou acima, quando a criança nasce você sente que se torna invisível, como bem descreve esse relato. Mesmo quando você está lá, com o maior amor do mundo em seus braços, você se sente abandonada, com um peso que parece muito grande para carregar.

 

 

Porque isso é outra característica dos millennials: o esgotamento mental.

Além do estresse emocional que é quase o habitat natural do millennial, quando se soma à ele as culpas da maternidade pode ficar puxado mesmo.

Se nossas mães eram conhecidas por frases como “veste um casaquinho”, “avisa quando chegar” e “toma cuidado”, a nova geração de mães têm que lidar com as próprias vozes da cabeça dizendo “meu filho/a quer brincar, mas estou exausta”, “ela/e me pediu esse brinquedo carésimo que não posso comprar” e “preciso voltar a trabalhar e dói muito ter que deixar meu filho com outra pessoa”.

Não podemos nem dizer que não fomos avisadas, porque toda mãe que cruzou o nosso caminho disse algo como “ser mãe é a coisa mais maravilhosa e mais desafiadora da minha vida”.

Se não todos os dias, é possível encontrar algum conforto e equilíbrio. Nossa condição, não de mães, mas de seres humanos permite isso. Lembra da filosofia do wabi-sabi? É sobre admirar e apreciar as coisas que são imperfeitas, mas não menos valiosas.

 

Vão ter dias que você vai falhar seja no papel de mãe ou de profissional, talvez em ambos, e está tudo bem.

Tem dias que você vai optar por abrir mão de algo por estar vivendo um momento lindo com seu filho ou filha e que merece toda sua dedicação.

Vão ter dias que você vai se sentir a pior mãe do mundo ao ter que falar um não ou quando não puder estar presente em um momento que seria importante.

Entre os choros do filho e os seus próprios, vai se construindo a vivência de ser mãe.

Sem certo ou errado.

Você pode maternar da forma que achar correta, mesmo que muitas pessoas queiram dar recomendações contrárias.

 

 

No fim do dia, tudo se resume ao laço que você está construindo com seu filho e basta você estar em paz com o que sente e faz, do melhor jeito que puder.

E quem não for mãe, o que pode fazer para ajudar?

Porque sabemos que ser mãe não se resume a um almoço de domingo em família. Acolher e se mostrar presente já é uma grande demonstração de afeto. Às vezes não se trata de ser a pessoa que vai cuidar do filho da amiga ou irmã quando ela não pode, mas sim mostrar que está lá para ela, para conversar, para fazê-la se sentir amada, capaz e como uma pessoa completa, e não reduzida ao papel de mãe que alimenta e troca fraldas.

Para quem tem amigas que são mães, não deixe de convidá-las para os roles, festinhas e afins. Ninguém melhor do que elas mesmas para avaliar se um determinado evento é compatível ou não com sua rotina, mas deixar de chamar só porque “ela virou mãe” é insensível.

 

A maternidade pode mudar alguns comportamentos, mas a pessoa que conhecemos e apreciamos, com quem dividimos momentos e risadas, continua lá.

Não abandone relações que importam só porque vocês estão em momentos diferentes de vida.

Uma mãe pode precisar de muitas coisas: uma boa noite de sono, férias, mais dinheiro, ajuda, mas mais do que tudo, precisa de empatia. De todas nós!

Um beijo e boa semana!