12 sinais de abuso nos relacionamentos, trabalho e amizades

Oi Freefree! Como você está?

O tema dessa semana é o abuso psicológico. É muito importante trazer esse assunto porque nem sempre é tão óbvio que estamos passando por um. Às vezes essas pequenas violências são tão sutis que nos fazem questionar a nossa própria percepção sobre eles.

O abuso nem sempre é físico ou deixa marcas visíveis, mas o impacto da violência psicológica está longe de ser inofensivo, além de ser algo que impede a liberdade emocional de muitas mulheres.

 

 

Separamos aqui alguns sinais de abuso psicológico nos relacionamentos afetivos, de trabalho e amizade para você identificar se passa por algum deles.

 

1 –Culpa – a pessoa faz com que você se sinta culpada até por coisas que não fez. Você sente que está constantemente se desculpando

2 – Dependência emocional – a pessoa faz você se sentir inferior, fala coisas como “você nunca vai encontrar alguém como eu”, ou “quem gostaria de você?”, faz comentários que abalam sua autoestima

3 – Controle – a pessoa quer saber onde você está, com quem, monitora seu celular e com quem você fala. O controle muitas vezes é disfarçado como se fosse cuidado

4 – Dependência financeira – a pessoa passa a gerir seus bens e recursos, fazendo com que você precise dela para qualquer decisão

5 – Negging – a pessoa elogia ao mesmo tempo em que te critica como “você é tão bonita, se fosse mais alta/magra poderia ser modelo”

6 – A pessoa tenta te moldar ao gosto dela, reclama das suas roupas ou do seu corpo, fala que prefere que você use ou não maquiagem, fala que suas escolhas são inadequadas

7 – Manipulação/chantagem – tem cobranças, a pessoa ameaça terminar se não for feito o que ela quer

8 – Ciúmes excessivo

9 – Isolamento – a pessoa reclama ou tenta te afastar do convívio com amigos e familiares

10 – Você esconde coisas por medo de ser julgada ou criticada

11-  Gaslighting – a pessoa distorce os fatos, fazendo você questionar sua percepção do que aconteceu

12- Agressão mesmo que indireta, como socar a parede ou gritar

 

 

1 – A pessoa te coloca em uma situação difícil de dizer não

2 – Discriminação sobre sua opinião, origem, gênero, orientação sexual ou religião

3 – A pessoa te coloca em situações de constrangimento ou humilhação

4 – Você passa por agressões verbais ou xingamentos

5 – Cobranças impossíveis ou metas inalcançáveis

6 – Punições injustas

7 – Apelidos pejorativos ou ligados a atributos físicos

8 –Ameaças e intimidação como demissão caso se recuse a fazer algo

9 – Contato físico não autorizado

10 –Apropriação indevida das suas ideias, trabalho ou produção

11- Culpabilização por tirar folga ou férias

12 – Solicitação de atividades incompatíveis com a sua função

 

 

1 - Competição – você se sente em uma constante disputa em todos os aspectos

2 - Diminui suas conquistas

3 – Te coloca pra baixo, é pessimista, fala que algo não vai dar certo e que só está avisando para o seu bem

4 – A pessoa só foca nela, não há troca e você dá mais do que recebe

5 – Drama excessivo e tentativa de te tornar responsável por algo negativo

6 – A pessoa tenta discretamente te humilhar em público ou conta coisas que não deveria

7 – Você não confia e deixa de falar o que sente para evitar conflito

8 – A pessoa te cobra ou faz sentir culpada quando você está com outros

9 – Estimula comportamentos ruins em você, como beber demais, e você não gosta da versão que é quando está
com essa pessoa

10- A pessoa fala de mal de você, mas se você confronta ela nega

11 – A pessoa se faz de vítima quando você cobra ou critica

12- A pessoa nunca cede ao que interessa a ela, mas você tem que ceder

E o que fazer se estiver passando por uma situação assim?

Às vezes sentimos um aperto no coração, uma sensação de incômodo e nem sabemos ao certo o porquê. Por isso é importante estar atenta aos sinais de alerta e nunca duvidar de si mesma.

É preciso ser firme na decisão de terminar um namoro ou casamento, se afastar da amizade, buscar outro emprego ou se posicionar no atual. É válido conversar com outras pessoas que não estão envolvidas e pedir sua opinião. Buscar terapia ou ajuda profissional para cuidar de si mesma também pode contribuir muito.

De forma geral, cortar o mal pela raiz é a melhor atitude. Delimitar seu espaço, escolher seu bem-estar.

 

 

Não tenha medo de ficar sozinha ou das consequências.

Sua liberdade não é compatível com relacionamentos abusivos. Por mais difícil que possa parecer, saiba que você é capaz de sair da situação e que uma convivência saudável não só é possível, como o mínimo que devemos ter.

Um beijo e uma ótima semana!

 


Nossa nova casa está pronta e aberta para você!

Oi Freefree!

Yasmine hoje aqui escrevendo para vocês.

Todas nós precisamos de um lar. Muitas vezes não nos sentimos seguras nem mesmo nas nossas casas. Seja por uma situação instável familiar, seja porque vivemos em uma zona perigosa.

Eu vivi assim minha infância e adolescência inteira.

E lembro que naquela época tudo que eu mais sonhava era que um dia eu pudesse ter minha própria casinha.

Uma casa onde eu me sentisse segura e alegre. Uma casa onde fosse permitido ser eu mesma. Onde eu pudesse brincar, dançar, me divertir sem medo.

Quando fundei a Free Free em 2018 logo em seguida abrimos a Casa Free Free, lá na Vila Madalena em São Paulo, com exatamente esse intuito. Era o nosso cantinho mágico, nosso lar, nosso aconchego.

 

O lugar onde nos encontrávamos, fazíamos rodas de conversas, workshops, era onde todos os nossos projetos surgiam. As paredes eram todas peludinhas, ambientes lúdicos e interativos. Tinha um deck aberto para aquele momento sagrado de meditação, obras de arte criadas por mulheres, desenhos que ganhamos de meninas e adolescentes que impactamos, as roupas de upcycling feitas pelas comunidades de mulheres lindas do nosso Brasil. Tava tudo lá.

 

E o que é um lar se não o lugar onde nos sentimos à vontade, onde sentimos que podemos ser nós mesmas?

Pois bem, montamos a nossa casinha com muito amor para que tivesse a nossa cara.

 

E aí veio a pandemia...

Para nos proteger e também os nossos familiares logo passamos para o formato home office. Um formato que foi bastante viável apesar de não ter o mesmo calor da convivência.

O tempo foi passando e nada da crise sanitária recuar.

Não fazia mais sentindo manter uma estrutura física, até porque com a mudança das nossas atividades conseguimos digitalizar grande parte dos nossos projetos e atuação.

Aceleramos nosso impacto ainda mais, deixando tudo mais eficiente diante das terríveis notícias de que muitas mulheres perderam seus empregos, que não conseguiam comprar alimentos para sua família, do aumento de ocorrências de violência doméstica com todo mundo em casa por causa do isolamento.

Não sem dor, tomamos a decisão de deixar nossa casinha amada e focar no que mais importava naquele momento.

Mas sabe como é, sempre tentamos encarar a vida com resiliência, não carregar tralhas que não cabem no coração, praticar o desapego, reciclar, reutilizar, dar nova vida ao que está parado. Acabou que desmontar a Casa Free Free foi um exercício bastante catártico.

E de lá para cá tanta coisa aconteceu. Estar em movimento é o que a gente gosta!

Nosso trabalho que sempre focou em ações presenciais, em encontros cheios de reciprocidade, teve que migrar para o digital. Começamos a escrever essas newsletters para ficarmos mais próximas de você e contar tudo o que estava acontecendo (ou só para bater um papo mesmo!). Fizemos grandes campanhas com pessoas importantes, cada uma gravando sua parte em casa, com toda a segurança. Fizemos um summit internacional com uma professora de Harvard para falar como a equidade é uma forma de ter um país mais estável e desenvolvido.

E agora, como você já deve saber, nasceu o Free Free World. Crescemos, transbordamos e ampliamos a nossa atuação para 5 países. E queremos ir mais longe!

Mas nunca abandonamos a ideia de ter o nosso cantinho. Um lugar onde todas são bem-vindas, onde vamos acolher qualquer mulher e ajudá-la a se libertar de suas dores, seus traumas, sua culpa.

E a novidade é que agora você tem uma casa para chamar de sua, nossa.

Onde sonhar é possível. Onde se enxergar em um lugar colorido e lúdico é real. Um lugar que sempre que você precisar é só ir até lá pra respirar, recarregar e seguir. Afinal, esse é o grande papel do nosso lar né?

Por isso que a gente, sempre comprometidas com a inovação, criamos a nova Free Free House no metaverso! Simmmmmm  e você é nossa convidada para conhecê-la em primeira mão aqui.

 

 

O metaverso ainda está sendo difundido, mas por lá você consegue ter a vivência em realidade virtual (para quem já tem os óculos de RV) ou da forma mais simplificada.

Que lugar melhor para ter a nossa sede se não em um espaço coletivo, virtual e compartilhado? Uma casa que todas vocês podem ir, de qualquer lugar do Brasil ou do mundo. Sabe as fronteiras físicas? Agora não temos mais. Isso é um grande sonho realizado!

 

 

Lá você vai encontrar vídeos, exposições de arte e informações sobre a Free Free. Faremos eventos que todo mundo poderá participar, independente de onde estiver fisicamente, e teremos um espaço exclusivo para conversar, trocar experiências, desabafar. No andar de cima você vai encontrar nossa sala de meditação. Sabe aquele momento que você tá à beira de um burnout? Respira…

Nossa Free Free House é esse lar. Esse lugar que você pode chamar de seu. Esse lugar que te lembra que a vida também pode ser COLORIDA. Que mesmo em dias difíceis, o nosso lar somos nós que criamos dentro da gente, com as nossas emoções, presenças, sonhos.

 

Em breve mandaremos mais instruções de como acessar e participar desse espaço.

Feliz demais de poder trazer esse sonho pra vocês, minhas amigas.

Juntas somos livres.

Quando uma mulher se liberta, ela tem a força de libertar milhares de mulheres ao seu redor.

Um beijo grande,

Yasmine


Machucados invisíveis

Tudo bem com você? <3

Espero que sim, que você esteja firme, forte e saudável.

E por falar em saúde qualquer coisa que tira a gente do nosso estado normal é péssimo né?

Da chata rinite alérgica a uma dor de garganta. Ou aquela dor de ouvido que atrapalha toda a nossa atenção. Ou ainda o resfriado que derruba e aí o jeito é descansar até melhorar.

Mesmo uma ferida que precisamos tratar, tomar remédio para não infeccionar e ter paciência enquanto a cicatrização acontece, também é um incômodo indesejado.

É desagradável ter algo que dói e não poder acelerar o processo.

Mas e as dores que não são físicas? Elas também doem, tiram nosso foco, incomodam e... precisam ser curadas.

Quando falamos em curar, isso significa que vai ter algum tempo envolvido. Se às vezes, por motivo de saúde física, precisamos nos afastar do trabalho para o nosso corpo melhorar, a saúde emocional merece a mesma atenção. Temos a tendência de tentar minimizar essas dores e sabemos que, na prática, não podemos deixar a peteca das nossas responsabilidades cair. Mas simplesmente continuar, tentar forçar e manter a rotina ignorando o que estamos sentindo não é saudável.

Aliás, muitas vezes uma dor invisível é muito mais difícil de curar do que a de um machucado físico. Nosso corpo, nossa biologia tem seus próprios mecanismos de cura. Já a nossa mente parece querer ficar “cutucando a ferida”, reabrindo mágoas passadas, ampliando o nosso sofrimento.

 

E são complicadas essas feridas que não saram. Pode ser um trauma da infância que te marcou até hoje, um padrão que continua se repetindo na sua vida. Ou algo recente e pontual que simplesmente insiste em te perturbar.

Às vezes apenas tempo é tudo o que precisamos para processar uma dor. Em outros casos precisamos providenciar a cura de uma forma mais ativa.

Cuidar da gente, procurar o que nos faz bem, desabafar ou buscar um profissional que nos guie quando tudo parecer muito difícil de processar. Não é fraqueza precisar de acolhimento. Apenas o fato de falar, de colocar para fora e receber uma nova perspectiva do que nos aflige já faz uma grande diferença.

 

O importante é saber que por mais profundas que sejam, essas dores invisíveis também podem ser curadas.

É possível ressignificar um trauma, superar uma perda, voltar a se sentir bem. Retornar ao nosso estado normal.

O mais grave é quando a dor que não é física começa a se manifestar de forma sintomática. E isso pode ser mais leve, como um cansaço ou falta de ânimo para fazer nossas atividades, ou mais grave chegando a um burnout ou colapso.

 

 

Podemos ainda tentar as fugas, em suas várias possibilidades. Tudo para amenizar a sensação de dor do momento, ignorar até passar, deixar para a nossa versão do futuro lidar. Mas essa é uma solução provisória que pode funcionar, se é apenas de tempo que precisamos, ou pode piorar algo que não deveria ser deixado de lado.

E quando a dor não é nossa, mas de uma pessoa próxima ou de alguém com quem convivemos, não devemos tentar diminuir esse sofrimento através de uma simples recomendação. Por mais que a intenção seja boa, quando falamos um “que bobagem, para de ligar pra isso”, podemos dar um peso maior ao que o outro está sentindo. Nós nunca vamos saber toda a bagagem dessa pessoa, seus machucados e a motivação dela sentir a dor que sente em uma intensidade maior ou menor. Se ela está te contando é porque precisa de apoio, de carinho, de um ombro amigo e não uma ordem de “desligue esse sofrimento”.

 

Todas nós temos algo para curar e precisamos do espaço para isso.

Liberte-se do que pesa na sua alma, que faz seu coração ficar apertado.

Sua força sempre será maior do que aquilo que te machuca, mesmo se no momento você não estiver sentindo isso.

Não negligencie sua dor que não é visível. Se cuide como um todo.

Beijos e boa semana!


Sobre mães e perdas

Ei, mulher! Como estão as coisas? 

Por aqui andam meio estranhas. 

Ontem, foi um dos dias mais difíceis da minha vida, eu enterrei um bebê. 

A minha sobrinha morreu ainda na barriga da mãe, aos 7 meses de gestação, e nessa hora não tem muito o que dizer, a gente vê a vida invertendo a sua ordem e um serzinho tão esperado indo embora, antes mesmo de chegar. Maya tinha o nome de umas das mulheres negras mais famosas do mundo, era também a minha primeira afilhada, a primeira neta da minha mãe e a primeira filha da minha irmã. 

Enterrar um caixãozinho tão pequeno é doloroso demais! Eu, que odeio ver qualquer coisa ruim acontecendo à uma criança, saí destruída do cemitério depois de passar minutos observando vários mini túmulos.

 A gente não tem ideia de quantas crianças morrem por dia, algumas com uma vida breve, outras, como a Maya, que nem chegaram a dar o primeiro chorinho. 

Nesse processo de descoberta da morte, do parto induzido e do funeral, pensei em como nunca dei muita atenção ao luto das mulheres que perderam seus bebês, parece que o fato da criança não ter um rosto, certidão ou um nome, anula a sua passagem na vida das pessoas, torna esse luto invisível. Essas mães não recebem empatia, nem condolências; é como se não pudessem sofrer por seus filhos que sim, existem, apesar da partida precoce. 

A maternidade não começa a partir do parto, começa com os planos, com a compra de cada roupinha, com a escolha do nome e com a expectativa que nasce dentro dessas mulheres desde o exame positivo. A conexão entre mãe e filho existe muito antes da bolsa se romper, algumas pessoas mais ligadas à espiritualidade acreditam que em outro plano nós já escolhemos quem vai nos trazer para esse mundo, acreditando ou não nisso, a gente sabe que gravidez é a vida acontecendo.  

A Maya existiu e existe, assim como tantas outras crianças. Ela despertou diversos sentimentos nas pessoas ao seu redor, ela faz parte das nossas lembranças e é uma parte da nossa história. A minha irmã é mãe, mesmo que não tenha sua filha nos braços, assim como tantas outras mulheres

Quando nasce uma mãe, nasce uma culpa. Um episódio da primeira temporada do Papo Free Free com a chef Renata Vanzetto que vale muito a pena escutar mais uma vez.  

Pessoas que odeiam crianças e como isso impacta a vida das mães. 

Muitas mulheres sofrem para conciliar trabalho e casa 

Estar grávida não é tão legal. 

Crianças tem que aprender a lidar com seus sentimentos 

Primeira infância na rua e as vidas que a estatística ignora

É possível dar autonomia de gênero aos filhos? 

As mães podem deixar seus filhos? 

Agora que a expectativa de vida aumentou é bom entender mais sobre a menopausa

Convide uma mãe, mesmo que ela não vá. 

Meu hit 

Saiu uma matéria sobre como podemos esquecer tudo, menos as músicas que marcaram momentos da nossa vida. 

E tem som que vem cheio de lembranças, Avôhai é um desses, era a canção favorita da minha avó e uma das que mais me lembra a minha mãe. 

Vale a pena assistir: 

WeCrashed é uma série com Jared Leto (numa atuação melhor que a do Coringa, juro) e Anne Hathaway que conta a história do We Work uma empresa que passou por poucas e boas quando entrou na bolsa de valores, ele é um bom exemplo de loucuras que os empreendedores fazem. Talvez eu tenha me interessado na série por trabalhar em um dos prédios do Coworking, mas juro que é interessante, você fica o tempo todo se perguntando onde as pessoas estavam com a cabeça, mas é uma boa história rs. 

Dedico essa primeira edição as mulheres mais importantes da minha vida: Minhas avós, minha mãe, minha irmã e a minha sobrinha Maya ❤️


Para as mães millennials

Na semana passada falamos sobre a escolha de ser ou não ser mãe, e como costumamos ser julgadas em ambos os casos.

Hoje, logo depois do Dia das Mães, nosso papo é sobre elas, mais especificamente sobre as mães millennials.

Se não for o seu caso fica aqui também porque como filha, amiga, irmã, essa mensagem também é para você.

Sabemos que existem mães da geração Z, maternando e compartilhando vídeos no TikTok com direito às dancinhas e tudo.

 

Mas queremos focar nas mães da geração Y, ou millennials, que são as mães que hoje estão com seus 28 a 35 anos, um pouco mais também.

Porque essas mulheres já tiveram um direcionamento diferente em sua criação. Suas mães talvez tenham engravidado cedo, com seus 20 e poucos anos, mas criaram suas filhas falando da importância de construir uma carreira, de ser independente, de buscar seus sonhos. E não são incomuns as mulheres que hoje, em 2022, com seus 30 anos, não se sentem nada prontas para serem mães.

Que ainda preferem a noite não dormida na balada do que a noite não dormida amamentando e trocando fraldas.

 

 

Que preferem o estresse de um novo projeto no trabalho do que o estresse de ter que correr com o filhote para o PS quando ele fica doente.

A Revista Crescer fez um levantamento sobre o perfil das mães millennials, que não abrem mão de sua liberdade e independência, mas tentam conciliar carreira, maternidade e vida familiar. Uma em cada três tiveram seu primeiro bebê entre 31 e 35 anos e 37% delas têm salários maiores ou equiparados aos dos seus companheiros.
Na apertada administração do tempo, 54% delas querem ficar mais com os filhos, sendo que 77% dedicam quatro horas ou mais por dia aos cuidados maternos – um tempo esse que, para 45% delas, é suficiente.

E nesse embate que toda mãe que trabalha sente, entre “o que preciso fazer” e “o que consigo fazer” é natural se sentir sobrecarregada, mesmo essa geração contando com mais apoio dos companheiros do que as anteriores.

Até quando se tem uma boa rede de suporte, a maternidade pode ser bastante solitária. Se na gravidez tudo o que você faz se torna de domínio público, com todo mundo falando o que você pode ou não pode fazer (como se você não soubesse) ou dando pitaco no seu peso, se está abaixo do esperado ou acima, quando a criança nasce você sente que se torna invisível, como bem descreve esse relato. Mesmo quando você está lá, com o maior amor do mundo em seus braços, você se sente abandonada, com um peso que parece muito grande para carregar.

 

 

Porque isso é outra característica dos millennials: o esgotamento mental.

Além do estresse emocional que é quase o habitat natural do millennial, quando se soma à ele as culpas da maternidade pode ficar puxado mesmo.

Se nossas mães eram conhecidas por frases como “veste um casaquinho”, “avisa quando chegar” e “toma cuidado”, a nova geração de mães têm que lidar com as próprias vozes da cabeça dizendo “meu filho/a quer brincar, mas estou exausta”, “ela/e me pediu esse brinquedo carésimo que não posso comprar” e “preciso voltar a trabalhar e dói muito ter que deixar meu filho com outra pessoa”.

Não podemos nem dizer que não fomos avisadas, porque toda mãe que cruzou o nosso caminho disse algo como “ser mãe é a coisa mais maravilhosa e mais desafiadora da minha vida”.

Se não todos os dias, é possível encontrar algum conforto e equilíbrio. Nossa condição, não de mães, mas de seres humanos permite isso. Lembra da filosofia do wabi-sabi? É sobre admirar e apreciar as coisas que são imperfeitas, mas não menos valiosas.

 

Vão ter dias que você vai falhar seja no papel de mãe ou de profissional, talvez em ambos, e está tudo bem.

Tem dias que você vai optar por abrir mão de algo por estar vivendo um momento lindo com seu filho ou filha e que merece toda sua dedicação.

Vão ter dias que você vai se sentir a pior mãe do mundo ao ter que falar um não ou quando não puder estar presente em um momento que seria importante.

Entre os choros do filho e os seus próprios, vai se construindo a vivência de ser mãe.

Sem certo ou errado.

Você pode maternar da forma que achar correta, mesmo que muitas pessoas queiram dar recomendações contrárias.

 

 

No fim do dia, tudo se resume ao laço que você está construindo com seu filho e basta você estar em paz com o que sente e faz, do melhor jeito que puder.

E quem não for mãe, o que pode fazer para ajudar?

Porque sabemos que ser mãe não se resume a um almoço de domingo em família. Acolher e se mostrar presente já é uma grande demonstração de afeto. Às vezes não se trata de ser a pessoa que vai cuidar do filho da amiga ou irmã quando ela não pode, mas sim mostrar que está lá para ela, para conversar, para fazê-la se sentir amada, capaz e como uma pessoa completa, e não reduzida ao papel de mãe que alimenta e troca fraldas.

Para quem tem amigas que são mães, não deixe de convidá-las para os roles, festinhas e afins. Ninguém melhor do que elas mesmas para avaliar se um determinado evento é compatível ou não com sua rotina, mas deixar de chamar só porque “ela virou mãe” é insensível.

 

A maternidade pode mudar alguns comportamentos, mas a pessoa que conhecemos e apreciamos, com quem dividimos momentos e risadas, continua lá.

Não abandone relações que importam só porque vocês estão em momentos diferentes de vida.

Uma mãe pode precisar de muitas coisas: uma boa noite de sono, férias, mais dinheiro, ajuda, mas mais do que tudo, precisa de empatia. De todas nós!

Um beijo e boa semana!


Escolha ser mãe ou não. Vão te julgar do mesmo jeito

Na semana que precede o Dia das Mães, o assunto não poderia ser outro: a maternidade.

Ser mãe, que além de ser uma função de tempo integral, é uma escolha que deve caber à mulher. Por mais que seja lindo ter um filho, uma forma totalmente diferente de vivenciar o amor e um papel social ao perpetuar a humanidade, não é e jamais deverá ser uma obrigação.

É crescente a quantidade de mulheres que começam a se questionar se têm de fato a vontade de serem mães ou se esse é um valor culturalmente induzido durante toda a nossa vida. Existe até um termo para isso: NoMo, uma abreviação de “No Mothers”. No Brasil, elas representam 37% das mulheres, o que é bastante expressivo.



A sociedade ainda julga quem opta por esse caminho. Como se fosse um desperdício não usarmos o útero. Frases como “ah, você diz isso agora, mas uma hora o relógio biológico vai chamar” não são incomuns.

Tratam a mulher que diz abertamente não ter o desejo de ser mãe como egoísta.

 

Foi só em março, dois meses atrás, que a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que retira da legislação a exigência do consentimento do cônjuge para a realização de laqueadura ou vasectomia. E ainda aguardamos o parecer do Senado sobre o tema.

Mas se a lei diz que pode fazer a esterilização voluntária qualquer mulher com 25 anos ou ao menos dois filhos, sabemos que esse “ou” não é interpretado como deveria. Muitos médicos tentam desestimular o que deveria ser uma decisão da mulher, dona de seu corpo. Falam “você é muito nova, vai se arrepender”. E mesmo nos casos em que a mulher já tem a quantidade de filhos, mas não a idade, as dificuldades continuam.

E agora falando das mulheres que escolhem ser mães é aí que os julgamentos vem de todos os lados!

Vão falar que você é muito nova, que devia ter se planejado melhor, ou então que você é muito velha, que é arriscado. Vão dar 1001 dicas não solicitadas do que acham que você deveria fazer para cuidar do SEU filho.

Se você optar por não trabalhar, vão falar que você abriu mão da carreira. Se continuar trabalhando vão falar que você não é uma mãe dedicada.

 

Vão te olhar feio se seu filho estiver chorando na rua. Vão te criticar por ter dado a chupeta, o celular ou qualquer outra coisa quando você só precisava de alguns minutos de paz.

 

 

E tem dias que a sensação de arrependimento vai passar por você. E o pior é que você vai se sentir culpada.

A frase “quando nasce uma mãe, nasce uma culpa” é real e falamos sobre isso com a chef Renata Vanzetto no nosso podcast. Se não ouviu pega esse #TBT fora de dia porque foi um papo muito legal.

Indicado ao Oscar desse ano, o filme “A Filha Perdida” aborda também de uma forma muito humana o debate sobre o que se espera das mães. E quão libertador é saber que não existe fórmula da maternidade perfeita.

 

A Filha Perdida (2021)

A mensagem que queríamos deixar para você refletir nessa semana é que não existe certo ou errado. Só você pode saber qual caminho deseja seguir.

E mesmo tendo clareza na hora de fazer essa escolha, tem dias que a outra opção vai ter um apelo maior.

Mas a boa notícia é que está permitido sentir. Sentir tudo. Não se cobre ou se culpe quando você errar. E você vai errar, todas erramos.

Você não é uma mulher incompleta se decidir que não quer ser mãe. Você não é uma mãe ruim ao conciliar a maternidade com suas outras aspirações pessoais.

Talvez a maior beleza da maternidade é poder aprender algo novo sobre nós mesmas, todos os dias. Descobrimos uma força incrível que sempre existiu em nós.

E nós mulheres somos uma força da natureza. Sempre fomos. Devemos utilizar esse nosso potencial para construir a realidade que queremos. De forma livre e consciente.

Um beijo e boa semana!