Dinheiro e o emocional. Você se banca?

Hoje quero conversar com você sobre um aspecto bastante sensível na hora de conquistar a nossa liberdade financeira que é a importância de também trabalhar o emocional.

Mas você pode estar se perguntando “o que uma coisa tem a ver com a outra?” e a resposta para isso é: tudo!

Tudo porque o emocional afeta diretamente a nossa capacidade de tomar decisões e quando estamos lidando com dinheiro fazer boas escolhas é fundamental.

 

 

Gerenciar bem nossos sentimentos é o primeiro passo para tomar as atitudes corretas em relação ao nosso dinheiro. Isso se aplica, por exemplo, na hora de pedir um aumento, de não hesitar e se sentir confortável para cobrar por um serviço, freela ou produto que produzimos, ou quando avaliamos se vale a pena permanecer em um trabalho que não está nos fazendo bem.

Podemos entender o dinheiro como uma forma de energia. Ele deve circular e entrar em um fluxo positivo de crescimento. Investimos nosso tempo e dedicação e isso retorna para nós na forma de recursos que devem ser gastos com o nosso bem-estar, presente e futuro.

Outra relação que podemos ver entre dinheiro e o emocional é que praticamente todo mundo já cometeu uma pequena extravagância (às vezes não tão pequena assim) para se autocompensar quando não nos sentimos bem. Comprar algo que não precisamos de forma impulsiva é bastante comum quando estamos tristes, angustiadas ou ansiosas. E muitas vezes, além de não preenchermos o vazio que estávamos sentido, ainda por cima ficamos culpadas depois por ter comprado algo que não era prioridade.

 

 

Isso não significa, se nesse momento sua vida financeira estiver bagunçada, você tiver dívidas ou simplesmente nada sobrar no fim do mês, que não seja possível encontrar o caminho para ter uma vida financeira saudável. Calma, tem sim solução!

E a vida não precisa ser um grande sacrifício, apenas pensando no futuro, em emergências ou em guardar tudo que recebemos. Podemos sim nos mimar de vez em quando, nos permitir pequenos prazeres no dia a dia que fazem a rotina mais leve e feliz. Isso é autocuidado e importa para a nossa saúde emocional.

 

O que precisamos mesmo é de equilíbrio para nos organizar e começar um processo de autoconhecimento. Assim podemos definir o que queremos no curto, médio e longo prazo para então traçar o caminho até lá.

Não podemos deixar que a falta de controle financeiro nos torne reféns de situações ou relacionamentos ruins, que nos paralise ou tire o nosso sono.

E se você acompanhou a nossa última newsletter, viu que estamos com um novo projeto que é o #EuMeBanco.

Criamos um curso exclusivo com videoaulas que reúnem todas as dicas para você começar esse processo rumo à independência financeira e liberdade para assumir o controle da sua vida. Afinal, mulheres livres decidem o que querem fazer, se amam, se entendem e até se perdoam.

As informações do curso #EuMeBanco estão disponíveis aqui.

E como a moda sempre foi muito importante para nós, como um instrumento de libertação, criamos uma coleção linda com a nossa grande parceira que é a eQlibri. Porque a moda também cura, transforma e tem voz.

 

 

Temos três modelos lindos de jaquetas, feitas com bordados de uma técnica chamada filé criado pela Wendy Sherry da Cooperartban, e produzidos por um grupo de 11 mulheres de Barra Nova em Alagoas.

As etiquetas foram feitas por 28 mulheres da Casa Santa Maria de São Manuel, em São Paulo, e a finalização é da Cristina Vasconcelos, a nossa Tininha, de São Paulo.

Somos mulheres que valorizam o trabalho de outras mulheres e se você quiser apoiar os projetos educacionais da Free Free e ajudar ainda mais mulheres a serem livres você pode comprar uma jaqueta aqui.

Te desejo uma semana linda!


Três anos de Free Free!

Estamos em festa!

Festa porque hoje, dia 26 de agosto, o Free Free completa três anos!

 

 

E olha que curioso: isso não foi pensado quando o Free Free foi criado, mas de uma forma quase mágica, nessa mesma data se comemora o Dia Internacional da Igualdade Feminina, simplesmente o nosso maior propósito!

Mas no nosso aniversário não queremos parabéns, queremos mesmo é a união.

Porque somente se nos unirmos vamos fazer a mudança que queremos no mundo.

Queremos um lugar seguro para meninas e mulheres, onde todas tenham oportunidades de se desenvolver, onde os pagamentos sejam iguais para os mesmos postos de trabalho, onde não se espera que uma mulher cumpra determinados papéis construídos socialmente e que ela seja apenas o que quiser sem ser julgada por isso.

Se com o nosso trabalho tivéssemos mudado a vida de uma só mulher, isso já significaria o mundo para nós, mas com muito orgulho podemos dizer que os resultados foram muito maiores que o esperado:

 

Estivemos nos principais blocos de carnaval para falar sobre consentimento e assédio, fizemos um festival presencial em 2019 que foi um momento lindo para celebrar todos os temas que importam para a liberdade da mulher, lançamos a campanha #A_Gente junto com o MPSP que convida homens e mulheres a se unirem por um mundo com mais equidade de gênero, desfilamos na São Paulo Fashion Week mostrando ao mundo a beleza que existe na diversidade, publicamos cartilhas educativas que abordam temas como empreendedorismo, educação sexual, maternidade e licenças parentais.

 

Nossa participação linda e diversa na SPFW
Foto: Zé Takahashi

 

Realizamos um festival virtual em parceria com a CUFA para ajudar mulheres que vivem em comunidades, celebramos as mulheres que com muita coragem foram para a linha de frente no combate da pandemia, fizemos manifestos para combater a violência contra a mulher e o racismo, e uma campanha por mais mulheres na política.

Lançamos nossa própria plataforma de educação e a revista COLORIDO, que através de várias linguagens expressa os nossos ideais pela liberdade, contra o mito da mulher perfeita e por mais mulheres reais, seguras para serem quem são.

 

Reunimos mulheres incríveis na primeira edição da nossa revista

 

Fizemos um campanha chamando atenção para a importância de proteger os biomas brasileiros mostrando as mulheres que se inspiram na natureza para gerar renda e transformar sua realidade. Criamos uma série sobre mulheres pioneiras e utilizamos a moda para discutir temas muito sérios.

Isso para citar apenas uma parte do que construímos nesses três anos.

Tem sido uma viagem linda e ficamos muito felizes de ter você conosco!

E para celebrar essa data, temos um novo projeto para compartilhar com vocês: o #EuMeBanco

Sem independência financeira, não há liberdade. Mas se bancar vai além do aspecto econômico.

Nos bancamos quando assumimos nossas emoções, quando amamos nossos corpos, quando abraçamos tudo o que faz a gente ser quem é.

Em breve vamos lançar o curso exclusivo #EuMeBanco e uma cartilha com dicas para se bancar emocionalmente, fisicamente e financeiramente. Acompanhe o Free Free para ficar por dentro desse lançamento!

 

Yasmine McDougall Sterea: a responsável por tudo isso e fundadora do Free Free que quer um mundo melhor para a sua filha Violeta e para todas nós

Vivemos trajetórias diferentes e cada uma tem o seu próprio caminho a trilhar rumo à liberdade.

Independentemente de onde você estiver nessa jornada, saiba que pode contar com a gente. Nossa missão é e sempre será apoiar as mulheres.

Muito obrigada por fazer parte disso!

 


Dinheiro. Sim, precisamos falar sobre isso.

Hoje eu queria falar com você que não acordou sendo a grande premiada da loteria. Que não descobriu ser herdeira de uma herança de muitos dígitos. Que não está com a vida financeira garantida por toda sua existência terrena. Ou talvez seja até o oposto disso...

 

 

Sabemos que dinheiro não é tudo na vida, mas ter uma boa relação com ele é sim muito importante.

 

Importante porque ter apenas o básico para sobreviver não é suficiente. Não há nada errado em ter ambições e querer conquistar mais, viver novas experiências e agradar a nós mesmas. O dinheiro é uma ferramenta muito poderosa de transformação da nossa realidade e, principalmente, o dinheiro é o que garante que a gente seja livre.

Sim, não há liberdade sem liberdade financeira.

E se hoje temos muitos exemplos de mulheres de sucesso que sabem gerir muito bem os seus recursos, isso não foi sempre assim.

Somente em 1962 as mulheres puderam abrir contas em banco, porque até então elas não tinham CPF. E ainda precisavam da autorização dos maridos para poder trabalhar fora de casa.

Já estávamos mandando astronautas para o espaço antes de que uma mulher brasileira pudesse plenamente ser a dona de sua própria vida.

Essa divisão familiar onde o homem é o responsável pelo dinheiro na casa e a mulher pelos cuidados domésticos e familiares já não faz sentido, mas até hoje muitas mulheres ainda não têm uma relação confortável com o dinheiro.

A mentalidade de que dinheiro é coisa de homem tem efeitos que ainda pairam sobre nós, podendo se manifestar, por exemplo, na falta de confiança na hora de negociar um salário, na permanência em relacionamentos abusivos, sejam eles conjugais ou familiares, ou nas tentativas de associar que mulheres que se interessam por dinheiro são fúteis e não confiáveis. Podemos gostar de dinheiro sim e é importante sermos as donas do nosso dinheiro.

Crédito: Unsplash/Pickawood

 

As mulheres já são responsáveis por mais de 80% das escolhas de consumo em suas casas. Mas uma pesquisa realizada pelo banco UBS aponta que quase 60% das mulheres não estão inteiradas dos aspectos mais importantes de sua segurança financeira como investimentos, seguros, aposentadoria e outros planejamentos de longo prazo.

No Brasil, 45% das entrevistadas apontam deixar o controle das decisões financeiras para os seus cônjuges, enquanto 33% são elas as responsáveis e 22% compartilham. Entre os motivos apontados para delegar o controle do dinheiro, 93% das mulheres brasileiras afirmam acreditar que seus cônjuges sabem mais sobre finanças do que elas.

Também não podemos esquecer que 45% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres e que ainda recebemos em média, 20,5% a menos que os homens para exercer as mesmas funções.

Assumir o controle da nossa vida financeira é a única forma de não sermos pegas completamente desprevenidas diante de algum imprevisto. Também é a forma de termos liberdade para trocar de emprego, quando não estamos felizes no atual, e não nos sentirmos presas em relacionamentos ruins.

Na pandemia, 25% das mulheres afirmam que ficaram em relacionamentos abusivos por não terem autonomia financeira. Isso em um ano em que 1 a cada 4 mulheres foi vítima de algum tipo de violência.

Crédito: Unsplash/Konstantin Evdokimov

 

E por falar em violência, uma das formas previstas em lei é a violência patrimonial, que inclui qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer as necessidades da mulher.

Um estudo realizado pelo C6 Bank e Datafolha mostrou que as agressões verbais e restrições à participação no orçamento familiar são as formas de violência patrimonial mais frequentes no Brasil após a Covid-19 e quase metade (47%) dos entrevistados relatou que o impedimento para participar de decisões de compra de produtos e serviços para a casa aumentou na pandemia, sendo que os relatos mais comuns foram entre as mulheres.

Foi só neste ano, em 2021, que as mulheres atingiram a marca de 1 milhão entre as investidoras na bolsa. Um sintoma positivo de que lidar com dinheiro deve deixar de ser um tabu.

O dinheiro nos dá a liberdade de escolher e devemos ser as únicas responsáveis na hora de decidir o que queremos da nossa vida.

 

Crédito: Unsplash/Visual Stories Micheile

Saiba que se nesse momento você não estiver no controle da sua vida financeira, se tiver dívidas ou se simplesmente nunca sobra nada do que você ganha no final do mês, não se desespere. É possível mudar isso. Com planejamento e organização você vai conseguir construir a sua independência. Vamos falar bastante sobre isso durante a semana!

Tem novidade boa chegando no Free Free, então acompanhe a gente lá no Instagram para ficar por dentro!

Queremos mais mulheres livres, que se bancam, e estamos aqui para te ajudar!

Nos próximos posts vamos falar um pouco mais sobre o valor do nosso trabalho e a importância de tomarmos decisões conscientes, afinal o controle emocional também importa quando estamos lidando com o dinheiro.

 

Até lá!


A educação transforma e liberta

Qualquer tipo de evolução passa inevitavelmente por um processo básico: a educação.

Criar e compartilhar o conhecimento é o que impulsiona a humanidade, é o que possibilitou a cura de doenças, que permitiu termos na palma das nossas mãos um aparelho com acesso a conteúdo de todas as partes do mundo, e o que faz com que a cada dia a gente construa um mundo um pouco mais justo.

Mas se é através da educação que vamos alcançar a igualdade, o caminho até aqui se mostrou bastante desigual.

Na semana passada, no dia 11 de agosto, foi celebrado o Dia do Estudante. Essa data foi escolhida por causa da criação dos primeiros cursos de ensino superior no país em 1827, por Dom Pedro I. Ensino esse que só poderia ser acessado por homens. Foi só em 1879 que o governo imperial permitiu, de forma condicional, a entrada de mulheres nas faculdades. Quem era solteira deveria apresentar uma licença de seus pais para poder estudar, já as casadas, o consentimento por escrito dos maridos.

 

 

Hoje a realidade é bem diferente, sendo que as mulheres são maioria nas universidades brasileiras, com 34% mais probabilidade de se formar no ensino superior do que os homens segundo um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O mesmo estudo aponta que a empregabilidade de mulheres brasileiras de 25 a 34 anos com ensino superior é de 82%, cai para 63% entre mulheres com ensino técnico e para 45% entre as mulheres sem nenhuma formação superior. Entre os homens, todos os índices são mais altos, com uma taxa de empregabilidade dos que têm ensino superior de 89%, de 76% para os que têm ensino técnico e 76% para os que não tem formação superior.

Seria lógico que as pessoas com um currículo mais avançado tivessem maior receptividade no mercado de trabalho, mas as mulheres ainda têm mais dificuldades de serem empregadas por causa do desequilíbrio nas responsabilidades familiares e disponibilidade de horas para o trabalho.

E mais estranho pensar nisso quando uma em cada três empresas no mundo pertence a uma mulher (Banco Mundial).

É justamente através da análise da educação, renda e saúde de um país que se mede o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), sendo que o Brasil encontra-se hoje na 84ª posição entre 189 países.

Considerando que metade da população do nosso país é composta por mulheres, as questões de educação e renda femininas estão diretamente ligadas ao nosso desenvolvimento como nação.

Um estudo feito pela economista Laísa Rachter do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) aponta que nos últimos 50 anos houve um grande avanço da presença de mulheres em todas as áreas de atuação do mercado de trabalho, o que significa uma redução nas barreiras de acesso, mas ao avaliar a remuneração, as diferenças continuam preocupantes. Em profissões consideradas do topo, mulheres ainda recebem 33% menos que os homens. É como receber R$ 3.350 quando os homens ganham R$ 5.000.

Mas o nosso objetivo hoje é falar sobre a educação, que deveria ser o caminho para o acesso a mais renda e mais qualidade de vida.

 

Crédito: Unsplash/Green Chameleon

Temos avançado em todas as áreas por exemplo no caso da tecnologia onde a participação feminina cresceu 60% nos últimos anos. Temos também exemplos de mulheres pioneiras como Marie Curie, a primeira física vencedora de um Nobel, Valentina Tereshkova a primeira mulher no espaço, Mary Edwards Walker que foi cirurgiã da Guerra Civil nos EUA e primeira mulher a receber uma Medalha de Honra, entre tantas outras que você pode conferir aqui.

 

De acordo com o levantamento “A jornada do pesquisador através de lentes de gênero” embora a participação das mulheres na pesquisa esteja aumentando de forma geral, a desigualdade permanece entre áreas temáticas e em termos de resultados de publicações, citações, bolsas concedidas e colaborações. Em todos os países, a porcentagem de mulheres que publicam internacionalmente é menor do que a de homens.

 

 

Existem pessoas extraordinárias que têm muito mérito pessoal por ter alçado voos mais altos na história do pioneirismo, mas quantas dessas pessoas, e entre elas mulheres, não realizaram o que poderiam por simples falta de acesso à educação?

Podemos sim celebrar as mulheres que nos orgulham tanto ao chegarem nos mais altos cargos ou por sua contribuição tão importante na ciência e não podemos esquecer que as mulheres são maioria em todas as fases da educação básica, do infantil ao ensino médio. Ou seja todo mundo que hoje tem uma carreira de sucesso, teve em sua trajetória a figura de uma professora.

Crédito: Unsplash/Taylor Wilcox

 

Mas alguns dados preocupam:

A gravidez na adolescência é responsável por 18% da evasão escolar entre meninas segundo um estudo do MEC. Já outro levantamento, da Fundação Abrinq, mostra que quase 30% das mães adolescentes, com até 19 anos, não concluíram o ensino fundamental.

Uma em cada quatro meninas têm a vida escolar afetada por conta da pobreza menstrual (Pesquisa Always/Toluna). Vimos avanços esse ano, como no caso dos governos do Ceará e São Paulo, com projetos de lei que preveem o fornecimento de itens de higiene para meninas e jovens em situação de vulnerabilidade. Uma forma de evitar o prejuízo à educação.

Se a menstruação não deveria afetar em nada a rotina escolar de uma menina, sendo apenas um processo natural do corpo, a gravidez que de preferência deveria ocorrer em um momento de estabilidade da vida da mulher, não deveria significar a renúncia definitiva aos estudos e carreira, mesmo quando ocorre de forma precoce.

E temos ainda a conta da pandemia.  A pesquisa “Vidas Interrompidas”, da ONG Plan International revelou que 19% das meninas em todo o mundo acreditam que a Covid-19 as forçará a suspender temporariamente os estudos, enquanto 7% temem ter que abandonar a escola em definitivo. A Unesco estima que a pandemia da Covid-19 coloca mais de 11 milhões de meninas em uma situação de risco de não retornarem à escola.

Crédito: Unsplash/Muneer Ahmed

A educação é fundamental para evitar práticas como a do casamento infantil, sendo que o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking onde isso é mais frequente.

Em sua passagem pelo Brasil em 2018, Malala falou da importância da educação para meninas não apenas para beneficia-las individualmente, mas porque contribui para o crescimento da economia, aprimora a democracia e traz estabilidade ao país.

A Malala que foi baleada porque queria estudar...

E essa semana nos deparamos com a preocupante notícia do retorno do Talibã ao poder no Afeganistão. Segundo o Afghan Women’s Network isso pode representar um retrocesso de 200 anos.

Promessas de inclusão e de respeito aos direitos humanos não são suficientes. Isso precisa ser visto na prática. Todos temos nossas origens, nossa cultura, nossa fé e nada disso deveria impedir a nossa liberdade e crescimento pessoal.

Não podemos ver mulheres sendo substituídas em seus empregos por homens, não podemos ver meninas deixando a escola. Não queremos retrocesso após 20 anos de uma difícil e lenta evolução.

Nos últimos 20 anos, milhares de meninas e jovens afegãs tiveram acesso à educação, sendo 39% dos 9,5 milhões de estudantes do país no ano passado. Estima-se que as mulheres são 22% da força de trabalho no país. Isso não pode ser perdido.

Reduzir a desigualdade geral e de gênero passa por acesso e qualidade da educação. O empoderamento não deve acontecer apenas de forma individual, mas coletiva.

Você já conhece a Plataforma de Educação do Free Free? Se não, clique aqui é tenha acesso aos nossos ciclos exclusivos!

 

Crédito: Unsplash/Leonardo Toshiro Okubo

A revolução da paternidade

Sabe, nossa vida é composta por um infinidade de fatores determinantes para a nossa felicidade. Desde o acesso aos recursos básicos para o nosso bem-estar até a qualidade das nossas relações.

E a possibilidade de se relacionar com outras pessoas é de longe o que mais nos impulsiona. Não há nada melhor do que criar laços com alguém, compartilhar momentos, viver marcos que serão para sempre lembranças em nossa mente.

Ao longo dos anos criamos esses vínculos com pessoas que vão passar pela nossa vida. Assim são as amizades e os relacionamentos amorosos. Mas geralmente nossa primeira relação profunda com outros seres humanos acontece dentro de casa, com a nossa família.

Por família entenda todos os formatos.

 

Sabemos que nem toda relação familiar é fácil. O lugar que deveria ser o nosso porto seguro, um refúgio das dificuldades do mundo, uma estrutura onde só há amor e acolhimento, nem sempre é assim. E são nesses casos que costumamos criar a nossa própria família, não necessariamente composta por parentes.

Como ontem foi o Dia dos Pais, o assunto que queria trazer hoje é a verdadeira revolução que essa figura passou ao longo dos anos e o que gostaríamos de ver no futuro.

Todo mundo têm um pai. Nossa existência foi possível porque em algum momento ocorreu a combinação de gametas que resultou em você, um ser lindo, complexo que carrega em si todo o potencial de criar e transformar o mundo ao seu redor.

 

Mas não vamos falar de biologia. Porque vivemos em um país onde 5,5 milhões de crianças não têm o nome do pai na certidão de nascimento. Em 2020, 6% das crianças que nasceram no Brasil, o que equivale a 80,9 mil bebês, se encaixam nesse quadro segundo dados da Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional). Para ser pai, apenas ter uma relação sexual que gerou uma criança não é suficiente.

Ser pai, mãe ou “pãe” vai muito além.

Tornar-se pai ou mãe é algo que pode ser uma escolha consciente ou o resultado de circunstâncias. Mas o quanto nos empenhamos nesse papel isso sim é (ou deveria ser) totalmente consciente.

Num passado não tão distante existiam papéis bem definidos dentro de uma estrutura familiar tradicional. O pai deveria ser o provedor de recursos materiais e a mãe seria a responsável pelas tarefas de cuidado e “do lar”. Para muitas famílias isso ditou a profundidade das relações dentro de casa.

A família que queríamos ver nos anos 50, com divisão de tarefas domésticas...

 

... mas as propagandas da época eram assim

Não podemos generalizar dizendo que só as mães sempre souberam tudo sobre os medos e sonhos das crianças, enquanto os pais tinham apenas consciência de que existiam pequenas pessoas andando pela casa. Sempre existiram pais que desempenharam bem o seu papel, mesmo quando o padrão vigente era delegar todo o cuidado às mulheres.

Foi só em 1962, com o Estatuto da Mulher Casada, que as mulheres puderam ser economicamente ativas sem autorização do marido, além de ter direito sobre os seus filhos podendo requisitar a guarda em caso de separação.

Vivemos um momento muito diferente hoje.

Sabemos que relações amorosas nem sempre duram para sempre. E que ninguém deve ficar em um relacionamento infeliz. Sabemos também que ter um filho não pode ser o único motivo para manter um casamento e que é possível exercer a maternidade e a paternidade sem fazer parte de um casal.

A vida familiar é uma parte de nós, não o todo.

Hoje, homens e mulheres podem se dedicar a uma carreira e também à vida familiar.

Se o amor pode ser infinito e incondicional, o tempo não. Ele é inclusive bastante limitado para a quantidade de coisas que precisamos ou gostaríamos de fazer em um só dia.

Para que a fórmula vida pessoal/vida profissional funcione da maneira mais equilibrada dentro da estrutura familiar, compartilhar é necessário.

Compartilhar tarefas e cuidados é o justo para que a responsabilidade familiar não seja mais de uma pessoa do que da outra.

Ainda vivemos sequelas de uma estrutura patriarcal onde mulheres:

- ficam sobrecarregadas ao trabalhar fora sendo também as responsáveis pelos cuidados de casa (dedicando o dobro de horas que os homens dedicam a esses serviços)

- são prejudicadas no mercado de trabalho por serem mães ou simplesmente pelo fato de estarem na idade em que se espera que uma mulher engravide

- colocam seu emprego em segundo plano para levar o filho ao médico ou participar de uma reunião na escola

Mas também vemos um movimento cada vez maior de pais que querem exercer sua paternidade de forma plena.

 

Isso tem sido chamado de paternidade ativa, quando os pais também ocupam a função de cuidadores.

Não podemos usar os maus exemplos, dos pais que não assumem seus filhos, que abandonam a família, que até estão presentes mas como autoridade ao invés de referência de afeto, como regra.

A paternidade ativa nada mais é do que uma relação que vai além do sustento financeiro. Significa participar dos cuidados diários, do desenvolvimento da criança, da educação e oferecer um maior vínculo afetivo e emocional.

Isso traz benefícios não só para a criança, mas para o próprio pai.

Uma pesquisa realizada em 2017 na FEA USP (Faculdade de Administração da Universidade de São Paulo) aponta que para 68% dos homens as aspirações de carreira mudaram após a paternidade e 71% afirmam que gostariam de ter mais tempo para se dedicar aos cuidados com os filhos.

O estudo também mostra que 56% dos homens acredita que o ambiente de trabalho não apresenta uma cultura aberta às discussões e políticas para integrar trabalho e necessidades familiares.

Esse envolvimento dos pais é benéfico para os filhos, para o relacionamento conjugal e para as mães que deixam de ficar sobrecarregadas. Se quiser saber mais sobre as vantagens de licenças parentais maiores e independentes de gênero, acesse a cartilha do movimento De Dentro de Casa pra Rua aqui.

Com a paternidade ativa todos ganham.

Mas ainda estamos caminhando, longe do ideal. Uma pesquisa do Instituto Promundo aponta que o Brasil é um dos países onde a combinação de leis e normas sociais não contribui para uma participação mais igualitária de pais e mães na criação dos filhos.

A ONG tem outro estudo que diz que a maioria dos homens (82%) afirmou ter vontade de se envolver nos cuidados do filho nas primeiras semanas de vida, mas 1/4 deles (27%) com direito à licença-paternidade não tirou nenhum dia de folga, 19% tiveram de um a três dias de licença, 32% tiraram de três a cinco dias e apenas 16% ficaram um mês fora do trabalho. Entre os motivos citados para isso estiveram o medo de perder o emprego ou prejuízos à carreira.

Nossa meta é chegar a um ponto em que não vamos mais precisar do termo “paternidade ativa” porque essa “atividade” estará implícita apenas em paternidade. Que pais atenciosos e dedicados não precisem ser celebrados como algo excepcional, porque serão a regra.

Crédito: Unsplash/Lauren Lulu Taylor

Por hora, se você teve a sorte de ter sido criada por um pai assim ou conhece homens que encaram a vida familiar dessa forma, compartilhe esse material com eles.

Estamos juntos, criando uma nova cultura, uma nova estrutura familiar, que vai permitir um futuro melhor para todos!

Quando compartilhamos amor, responsabilidades, cumplicidade e cuidado, multiplicamos resultados positivos!

Para ler mais:

Saiba como a paternidade ativa traz benefícios para o pai e a família

Uma a cada 16 crianças nascidas no Brasil são registradas sem o nome do pai na certidão

A paternidade ativa é um antídoto contra o patriarcado

Ascensão e queda do pai - Superar referência de pai provedor é principal desafio da nova paternidade

Paternidade ativa, origem e por que é uma ideia errada (afinal não falamos em maternidade ativa)


Violência nem sempre é visível

O tema de hoje, como você já notou no título, é a violência contra a mulher.

Não precisamos de uma data pra discutir a gravidade dessa questão até porque basta fazer uma pesquisa pelo termo “mulher” no Google e clicar na aba de notícias para receber logo nos primeiros resultados uma longa relação de casos de violência. Nossa pesquisa não é com as palavras “agressão” ou “estupro”, mas sim “mulher”, o que demonstra que a violência é cotidiana.

Falei que não precisamos de uma data para fazer essa discussão tão importante, mas no caso temos: no dia 7 de agosto a Lei Maria da Penha completa 15 anos. Vamos conversar?

A lei 

A Lei Maria da Penha criou mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Foi necessária uma luta de mais de 19 anos para Maria da Penha conseguir justiça contra seu agressor. Mas você conhece a sua história?

Quem é Maria da Penha?

Maria da Penha Maia Fernandes é farmacêutica bioquímica com mestrado em parasitologia em análises clínicas. Uma mulher da ciência que teve a oportunidade de avançar nos estudos e como tantas outras vítimas é um exemplo de que a violência não acontece apenas com mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Pode acontecer com todas nós.

Maria da Penha conheceu seu parceiro Marco Antonio Heredia Viveros quando estava cursando o mestrado na USP em 1974. Nessa época, ele que é colombiano também fazia os seus estudos de pós-graduação lá. Após dois anos de namoro eles se casaram.

O casal já tinha duas filhas quando a relação começou a mudar.

 

Marco Antonio Heredia Viveros conseguiu a cidadania brasileira e estava em um momento estável na carreira quando começou a apresentar comportamentos explosivos, não só com a Maria mas também com as filhas.

A família vivia o tradicional ciclo da violência, com tensão diária que culminava em um ato de violência e era seguido por arrependimento e comportamento carinhoso. Foi nesse contexto da “lua de mel” pós-agressão que o casal teve sua terceira filha, como uma promessa e expectativa de mudança.

Os episódios de violência começaram a ocorrer em períodos mais curtos de tempo e em 1983 algo mais grave aconteceu: Maria da Penha foi vítima de duas tentativas de feminicídio.

A primeira foi com um tiro em suas costas enquanto ela dormia, que culminou em lesões nas vértebras. Maria ficou paraplégica. Marco Antonio alegou que a esposa havia passado por uma tentativa de assalto. Após cirurgias e tratamentos, ela voltou para casa e o marido tentou eletrocutá-la durante o banho.

Com ajuda da família e amigos, Maria da Penha conseguiu apoio jurídico para sair de casa sem que isso se configurasse como abandono de lar, afinal ela não queria perder a guarda das filhas.

E assim começou sua luta por justiça. Maria da Penha foi novamente vítima de violência, mas dessa vez pelo Poder Judiciário. Marco Antonio foi a julgamento oito anos depois de seu crime, sentenciado a 15 anos de prisão, mas teve recursos aceitos e saiu em liberdade.

O segundo julgamento aconteceu em 1996, com a condenação de 10 anos e 6 meses de prisão. Marco Antonio novamente pode recorrer em liberdade e sua pena caiu para 8 anos e 6 meses.

Maria da Penha escreveu o livro “Sobrevivi... posso contar” com o relato de sua história e os andamentos do processo contra Marco Antonio.

Em 1998 foi encaminhada uma denúncia para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA) que acusava o Estado por omissão no caso de Maria da Penha. Em 2001, após o envio de quatro ofícios da CIDH/OEA, o Estado foi responsabilizado por negligência, omissão e tolerância em relação à violência doméstica praticada contra as mulheres brasileiras.

Em outubro de 2002, após 19 anos e 6 meses, Marco Antonio foi preso. Ele passou 16 meses em regime fechado e a partir de 2004 pode cumprir a pena em regime semiaberto.

Após muitos debates entre o Legislativo, o Executivo e a sociedade, o Projeto de Lei que viria a se chamar “Lei Maria da Penha” foi aprovado por unanimidade em ambas as Casas (Câmara e Senado). Em 2006 a lei foi sancionada pelo Governo Federal.

Em 2007 Marco Antonio conseguiu liberdade condicional e sua pena terminou em fevereiro de 2012. Na prática, Marco Antonio ficou preso por pouco mais de um ano. Ele também lançou dois livros onde afirma ser inocente e vítima de um erro do judiciário.

Em 2008 o governo do Ceará reconheceu a demora para julgar e punir o caso de Marco Antonio, concedendo uma indenização para Maria da Penha.

Ilustraçao: Paula Sífora
Ilustraçao: Paula Sífora

Desdobramentos

Foram criados projetos de lei que tentaram enfraquecer a Lei Maria da Penha, mas, devido à ação conjunta da própria Maria com movimentos feministas e instituições governamentais, a lei nunca sofreu retrocessos.

Seu maior impacto talvez seja em relação ao entendimento da gravidade da violência. Antes da lei entrar em vigor, a violência doméstica e familiar contra a mulher era tratada como crime de menor potencial ofensivo e as penas geralmente se reduziam ao pagamento de cestas básicas ou trabalhos comunitários.

Para além de punir os agressores, a lei formaliza a necessidade de criação de políticas públicas de prevenção, assistência e proteção às vítimas e estabelece a promoção de programas educacionais

A lei, considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) uma das mais avançadas do mundo para o combate à violência contra a mulher, também estabelece a definição do que é a violência doméstica e familiar, bem como caracteriza as suas formas.

Ilustração: Benedetto Cristofani

 

Os tipos de violência

Como disse a Dra. Valéria Scarance, promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público do Estado de São Paulo, a violência contra a mulher não é apenas física, nem começa diretmente aí. A violência costuma escalar, começando de forma mais “branda” e se intensificando até chegar às suas expressões mais graves como a lesão corporal ou o feminicídio.

São considerados 5 tipos de violência contra a mulher:

- Física - qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher. O levantamento “Visível e Invisível – a vitimização de mulheres no Brasil” aponta que na pandemia 8 mulheres foram agredidas fisicamente por minuto.

- Psicológica – A violência mais comum e talvez a mais difícil de comprovar. São consideradas formas de violência psicológica ameaças, constrangimentos, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, perseguição, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à saúde psicológica e autodeterminação. O Instituto Maria da Penha também considera como violência psicológica a prática de distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting).

Recentemente foi aprovado no Senado um projeto de lei que torna crime a violência psicológica contra a mulher e que pode levar o agressor à reclusão de seis meses a dois anos além do pagamento de multa. A pena pode ser maior se a conduta constituir um crime mais grave. O PL ainda depende de sanção presidencial. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública 13 milhões de mulheres foram vítimas de violência psicológica no Brasil nos últimos 12 meses.

- Sexual – estupro, obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa, impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar, forçar matrimônio, gravidez ou prostituição por meio de coação, chantagem, suborno ou manipulação e limitar ou anular o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher.

Em 2020, foram registrados 60.460 estupros e estupros de vulnerável, uma queda de 14,1% dos casos notificados em relação ao ano anterior, o que não significa que não tenham ocorrido mais, mas é possível que tenham sido subnotificados. Em 85% dos casos o crime é cometido por pessoas próximas da vítima, familiares ou pessoas de confiança. E 60,6% das vítimas tinham no máximo 13 anos.

- Patrimonial
- qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos. Deixar de pagar pensão alimentícia é considerado violência patrimonial.

Essa forma de violência tira a autonomia da mulher e muitas vezes a torna refém de uma situação onde está vulnerável a outros tipos de violência. Cerca de 25% das mulheres apontaram a dificuldade de garantir autonomia financeira como principal fator de vulnerabilidade à violência durante a pandemia.

-Moral -qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. (Exemplos: acusar a mulher de traição, críticas infundadas, exposição da vida íntima, tentar rebaixar a mulher através de xingamentos que incidem sobre sua índole, desvalorizar a vítima pelo modo dela se vestir, emitir juízos morais sobre sua conduta.)

Em 2020 o país teve 3.913 mortes violentas de mulheres, das quais 1.350 foram registradas como feminicídios, um aumento de 0,7% em relação ao na anterior. Entre as vítimas, 74,7% tinham entre 18 e 44 anos, 61,8% eram negras e 81,5% foram mortas por companheiros ou ex-companheiros.

A importância de não julgar

É fácil falar “nunca deixaria alguém encostar a mão em mim” ou “nunca aceitaria ser tratada desse jeito” quando estamos fora da situação. Entre as mulheres que são vítimas da violência e estão fragilizadas, muitas nem reconhecem estar em um relacionamento abusivo.

Variados fatores contribuem para que uma mulher permaneça em uma relação não saudável ou no ciclo da violência.

Ela pode ter vergonha de contar para outras pessoas, pode ter medo do parceiro tentar se vingar contra ela ou seus filhos, pode sofrer pressão social para manter o relacionamento, pode estar profundamente envolvida e acreditar de forma sincera que o seu parceiro pode e quer mudar (algo bastante comum na chamada “fase da lua de mel”). Ela pode depender dele financeiramente. Sem contar que a autoestima sempre fica abalada. Muitas acreditam em coisas que os parceiros falam como “você não tem valor” ou “ninguém vai te querer”. Com esse nível de fragilização, não é raro que elas tentem se convencer de que algumas ações ou atitudes não são abusos. E muitas relatam que é difícil você ter consciência do está passando enquanto ainda está acontecendo. Às vezes elas só enxergam isso com a distância.

 

E o que podemos fazer para ajudar?

Quando a vida e a integridade física de uma mulher que conhecemos está em risco, é nosso dever sim denunciar. Em briga de marido e mulher, a gente salva a mulher. Isso pode ser feito pela Central de Atendimento à Mulher pelo 180, pelo Disque 100 (Disque Direitos Humanos para menores de idade, idosos e outros vulneráveis), pelo plantão da Polícia Militar no 190, ou pelo telefone da Delegacia da Mulher da sua cidade.

Mas também podemos ajudar nos casos que não se enquadram em denúncia.

Nem todo relacionamento abusivo vai se tornar uma agressão física, mas todo caso de agressão vem de um relacionamento abusivo.

Ajudar uma amiga a enxergar que o seu relacionamento não é saudável é uma grande passo para romper ou evitar o ciclo da violência.

Mesmo que ela não demonstre, todo o apoio que você puder dar é sim bem-vindo.

"O amor não deveria doer" Crédito: Unsplash/Sydney Sims

 

- Escute mais. Quando uma amiga se queixar de seu parceiro não a critique, mesmo se você souber que a situação que ela está falando é recorrente e no passado ela já perdoou. Você precisa demonstrar que está lá para ela e contribuir para o processo de conscientização de que há uma saída.

- Não pressione. Por mais claro que esteja para você que aconteceu uma situação abusiva, talvez para sua amiga isso não seja tão óbvio assim. Sem contar que ela está envolvida na situação. Não atropele o processo dela porque isso pode ter o efeito contrário dela sair da situação.

- Não se afaste. Um mecanismo comum em uma relação abusiva é que a vítima seja afastada de seus outros relacionamentos e de sua rede de apoio. Quanto mais sozinha ela estiver, mais vulnerável ela fica. Não desista da sua amiga.

-Recomende que ela procure ajuda profissional. Mesmo quando nossos amigos e família nos falam que algo não é bom, nosso cérebro pode fazer de tudo para tentar justificar aquilo que queremos acreditar. Nada melhor que um psicólogo ou terapeuta que não faz parte do convívio para dar uma orientação externa.

-Coloque ela para cima. Vítimas de violência são frequentemente atacadas por sua aparência, por sua capacidade e têm sua autoestima destruída. Lembre-a de seus potenciais e de que ela é capaz de fazer tudo aquilo que deseja.

"Juntas somos mais fortes"

E para todas nós, é sempre válido lembrar que o amor é construtivo.

É um sentimento que liberta, não que poda.

Ciúmes nunca será demonstração de afeto ou de preocupação.

Nada do que fizermos justifica sermos mau tratadas ou agredidas.

A culpa nunca é nossa.

Não devemos aceitar violência física ou psicológica por medo de ficarmos sozinhas.

E sempre, sempre sempre existe uma saída.

Não aceite nada menos do que ser feliz, sozinha ou com alguém.

 

"Onde há justiça, há cura"

 

Para ler mais:

Por que tantas mulheres continuam em relacionamentos abusivos?

O relacionamento abusivo ao qual você sobreviveu pode salvar outras mulheres, um passo a passo

Em briga de marido e mulher, a gente salva a mulher


Você não está perdendo tempo

A vida tá “quase” começando a voltar ao normal. Ênfase no quase porque ainda estamos vivendo uma pandemia, ainda precisamos nos cuidar e para muitas de nós, que perderam pessoas queridas, as coisas nunca mais vão ser as mesmas. Não podemos esquecer isso.

Mas se tem algo que essa crise escancarou é a nossa relação com o tempo. Seja pelo desafio de coordená-lo em condições completamente atípicas, ou pelo fato de que, mesmo com toda organização possível, ele sempre parece insuficiente.

 

Crédito: Unsplash/Analia Baggiano

 

É impossível não sentir que o último ano foi “roubado” de nós. Roubado porque não pudemos viver plenamente, nos relacionar de forma normal, tivemos que adiar planos, entre tantas outras situações.

Teve quem aproveitou a possibilidade de fazer home office, de ficar em casa, para se dedicar a mil atividades: colocar os exercícios e o yoga em dia, investir no skincare, aprender a fazer pão, assistir todas as lives, todas as séries, ler um monte de livros, fazer um curso a distância....

E quem não fez nada disso? Perdemos um tempo em que deveríamos estar sendo “produtivas”?

Não Freefree, você não perdeu tempo.

E se você está com dificuldades de se organizar, sentindo que trabalhou muito mais horas na pandemia e rendeu menos, acredite, você não está sozinha.

 

Está muito difícil conseguir se concentrar com tudo que está acontecendo. Mesmo com a impressão de que temos “mais tempo” por estarmos em casa, sem nos deslocar tanto quanto antes, estamos angustiadas demais para focar.

Um estudo realizado pela UFMS aponta que mais de 50% das mulheres apresentaram algum sintoma de ansiedade ou depressão durante a pandemia. Há ainda um sentimento de culpa quando não estamos fazendo "nada". Como se tivéssemos que estar conectadas o tempo todo, responder mensagens de forma instantânea, como máquinas que não merecem um tempo de descanso e lazer.

 

Era mais fácil estabelecer essas barreiras antes da pandemia, quando tínhamos uma definição clara do período que devíamos nos dedicar ao trabalho ou estudo e do tempo que estávamos livres para fazer o que quiséssemos.

É importante recuperar essa organização e lembrar que o nosso tempo, fazendo aquilo que gostamos e que nos relaxa é tão importante quanto o tempo em que estamos produzindo. Até porque sem essas necessárias pausas não vamos conseguir render mesmo.

Às vezes , a única forma de recarregar, é não fazer nada

 

E para além da pandemia, precisamos ressignificar a nossa relação com o tempo.

Talvez você já tenha se deparado com esse sábio tweet:

@NAOKAHLO

 

Precisamos eliminar de vez o conceito de que existe um tempo certo para alcançarmos realizações ou metas. Não existe uma idade certa para casar e formar uma família (se é que isso é algo que você deseja) ou para estar em um determinado posto no trabalho ou carreira. E se você ainda não tem uma definição do que quer também não tem problema nenhum.

Não existe uma linha de chegada. Nunca vamos estar em um ponto em que não possamos melhorar mais. Esse processo é contínuo e mais importante do que chegar é aproveitar o caminho.

Não tenha pressa para conseguir as suas conquistas, não tenha medo de mudar seus objetivos em qualquer momento, não se preocupe se tiver que começar do zero centenas ou milhares de vezes. Não compare a sua trajetória com a de outras pessoas, não estamos competindo.

@bruhbandeira

 

O tempo vai passar e quanto a isso não podemos fazer nada.

O que está ao nosso alcance é usar o tempo que temos vivendo da melhor forma ao invés de sofrendo.

Viva sem pressa e sem pressão, com a tranquilidade de que você tem o tempo que precisar para definir seus objetivos e se dedicar para conquistá-los. É o que desejo para todas nós!


Aprendendo a impor limites sem culpa

Escutamos muito sobre a importância de ser resiliente, de se adaptar e de tantas outras características ligadas à inteligência emocional no que diz respeito a sermos tolerantes e abertas, mas não ouvimos tanto sobre saber impor limites.

E isso é fundamental.

Claro que existem situações óbvias onde é fácil perceber que algo passou do limite.

Quando falamos em consentimento, em respeito aos nossos corpos, aos nossos direitos sempre vale reforçar que não é não e ponto final. Mas no dia a dia não é incomum aceitarmos situações que não queríamos estar simplesmente por medo ou vergonha de manifestar o que realmente pensamos.

Existe uma vontade de não querer desagradar os outros, mas isso pode nos colocar em circunstâncias ou mesmo em relações que não são saudáveis para nós. E quando estamos envolvidas afetivamente com alguém fica mais complicado buscar o equilíbrio entre a razão e a emoção. Por isso vemos tantos relacionamentos abusivos, que não começam imediatamente com a imposição de um lado sobre o outro, mas com o rompimento de barreiras um pouquinho a cada dia. Quando percebemos estamos numa posição ruim e nem sabemos como fomos parar lá.

A relação com limites começa na infância e faz parte da educação, para que sejam estabelecidas as regras de convivência e de respeito ao espaço do outro.

Se você é mãe, professora, conviveu com irmãos, sobrinhos ou crianças pequenas de forma geral, qual é a palavra que você imagina ser a mais frequentemente usada? Certamente “não!” passou pela sua cabeça.

Mas para além desse início da nossa formação como seres humanos, na vida vamos nos deparar diveeeeersas vezes com momentos em que nossos limites serão testados.

E saiba que “não” é uma frase completa. Não tenha medo de usá-la em qualquer uma das suas relações.

 

 

Diga sim a dizer não

 

Porque quando aceitamos fazer algo que não queremos para agradar os outros o resultado é que ou vamos ficar ressentidas ou vamos nos iludir achando que seremos valorizadas por aceitar aquela tarefa que não queríamos. Valorização essa que talvez, muito provavelmente, nunca venha. Por isso é tão importante responder sim ou não estando plenamente confortável na situação.

 

 

Saber impor limites também tem muito a ver com autoestima. Se defendemos que todas as pessoas merecem respeito, é evidente que isso também inclui a gente. Mas frequentemente nos sentimos insuficientes ou que não temos aquela “moral” para contrariar alguém.

E é possível dar uma resposta negativa e ser gentil ao mesmo tempo. Por mais que passe na nossa cabeça “que pessoa sem noção em pedir isso”, comunicar o que pensamos sem atacar ou ofender também é uma forma de educar.

 

A terapeuta PhD Julie de Azevedo Hanks, autora do livro “The Burnout Cure: An Emotional Survival Guide for Overwhelmed Women” faz uma boa analogia sobre como lidar com as nossas emoções. Ela cita aquela explicação que comissários de bordo apresentavam antes de um voo (que hoje em dia geralmente é exibido em vídeo): primeiro coloque a sua máscara de oxigênio e depois auxilie quem precisa de ajuda. 

Isso se aplica perfeitamente em como devemos lidar com os nossos sentimentos, porque se não prestarmos atenção às nossas necessidades é impossível atender as dos outros.

A Dr. Julie de Azevedo Hanks também é responsável por uma pesquisa que diz que 57% das mulheres se comprometem com mais tarefas do que conseguem administrar e 74% têm dificuldades em dizer não quando pedem a elas algo que não querem fazer.

 

Mais uma vez retornamos ao mito da mulher perfeita que quer dar conta de tudo, mesmo passando por cima do seu próprio bem-estar.

Não podemos agir nos extremos, sendo a pessoa que se torna submissa ou passiva, nem a pessoa fechada em seus princípios que não tenta sequer escutar as necessidades dos outros ou ajudar quando pode.

A dinâmica equilibrada está justamente em encontrar o ponto de conforto para todos os envolvidos. É possível sim mudar nossos limites, transpor barreiras, desde que isso seja feito de forma consciente. Se aceitamos algo e não nos sentimos bem com isso, claramente não estamos respeitando os nossos limites.

“Ame a si mesma o suficiente para estabelecer limites. Seu tempo e energia são preciosos. Você pode escolher como usá-los. Você ensina as pessoas como tratá-la quando decide o que vai aceitar ou não.”

 

E agora vamos àquele momento “é sobre isso e tá tudo bem”:

- Não tente abraçar o mundo. Ninguém deve. E isso não te torna menos competente

- Não é seu trabalho aceitar responsabilidades que não são suas

- Você não precisa (e não vai) agradar todo mundo o tempo todo

- Amar alguém não significa aceitar tudo que essa pessoa pede ou faz

- Seus sentimentos importam

- Você é suficiente

Respeite os seus sentimentos, o seu tempo, o seu trabalho, o seu conforto. Não temos controle sobre tudo que acontece na nossa vida, mas somos sim as responsáveis por determinar o que achamos correto ou não fazer.

Diga mais “nãos” e seja mais livre.

 

Crédito: Unsplash/Isaiah Rustad


Para saber mais:

5 maneiras de estabelecer limites com pessoas difíceis (em inglês/ PsychCentral)


Não somos rivais

Pronta para mais uma das nossas conversas semanais?

Mais um bate-papo de ❤ sobre um assunto diretamente ligado à nossa liberdade.

Porque para sermos livres precisamos desconstruir tudo aquilo que nos prende, que faz com que a gente queira se encaixar ao invés de se destacar.

E hoje queria falar com você sobre um dos aspectos mais prejudiciais da insegurança: a comparação.

Em algum momento foi incutido na nossa cabeça que a “grama do vizinho sempre é mais verde”. Temos um olhar focado em supervalorizar as qualidades dos outros e deixar passar despercebidas as nossas próprias características positivas. E nesse contexto das redes sociais que mostram recortes bonitos da realidade acabamos comparando a nossa vida com a aparente vida perfeita dos outros. Até por isso o Instagram foi considerado a rede social mais prejudicial à saúde emocional.

Se comparar é um desdobramento da competição que não deveria existir e o resultado é nos sentirmos rebaixadas, inferiores, insuficientes. Um monte de sentimentos que não fazem o menor sentido.

Mesmo quando sabemos que é errado, e reconhecer é o primeiro passo da desconstrução, em algum momento já sentimos a necessidade de querer ser a mais bonita, a mais divertida, a mais interessante, a mais inteligente. Por que isso? Por que essa competição?

E quando reconhecemos as qualidades de outra mulher, muitas vezes já procuramos um defeito, uma espécie de compensação cármica por ela ter algo bom. “Ela é bonita, mas é chata”, “ela é bem-sucedida, mas deve ser uma péssima mãe”.

Pois é, precisamos falar da rivalidade feminina (e eliminá-la da nossa vida de uma vez por todas).

 

Há quem diga que a rivalidade entre as mulheres seja uma questão evolutiva. Já outras linhas enxergam isso como uma forma de internalizar o patriarcado. Ou ainda, de que se trata de uma competição com nós mesmas porque ao sentir “inveja” de determinadas características em outra mulher, não estamos sequer enxergando aquela mulher ou a considerando como uma pessoa. Estamos apenas olhando para nós e o que queríamos ter.

Não ajuda o fato de que por muitos anos vivemos numa ditadura do padrão que era desejado. Ditadura porque erámos bombardeadas sobre como é a aparência perfeita, o que era ter sucesso, como é a vida que deveríamos almejar.

Em relação à aparência, submetemos nossos corpinhos saudáveis a verdadeiras torturas para agradarmos a outros, caso da prática dos “pés de lótus” na China para conseguir um bom casamento.

Existe essa obsessão em ser bela e jovem, como se fosse tudo na vida. E o pior é que muitas vezes isso não é nem para nos satisfazer, mas sim aos outros.

Não é possível falar em sucesso como se existisse uma régua para medi-lo.

Somos pessoas diferentes e o conceito sobre o que é sucesso vai variar para cada uma de nós. E de que adianta ter aquela vida perfeita, alcançar todos os objetivos da checklist do que é considerado sucesso e mesmo assim não nos sentirmos felizes? Ainda, é válido questionar essa necessidade de uma busca incessante pela felicidade. Por que nós humanos somos obcecados com essa ideia de ser feliz o tempo todo enquanto todos os demais seres existentes nesse planeta parecem se contentar apenas em ser?

Não querida leitora, não quero te causar uma crise existencial.

Mas posso te garantir que uma vida com menos comparação é uma vida mais feliz.

 

@mari.vidailustrada

Quanto antes percebemos que a felicidade está dentro de nós e não em outra pessoa, não em um determinado emprego, não em objetos, não na aparência, tudo fica mais leve.

Mas não é fácil sentir isso espontaneamente. Seria maravilhoso se pudéssemos virar uma chavinha interna para parar de nos importar com as coisas que incomodam em nós mesmas ou que gostaríamos de ter.

Não à toa que quando somos mais maduras e menos suscetíveis a nos abalar com coisas materiais ou de aparência que somos mais livres. E podemos começar com esse processo de emancipação hoje mesmo.

Unsplash/Alexandra Tran

E aqui voltamos à questão da rivalidade feminina. A psicóloga e professora doutora Valeska Zanello fala sobre o conceito da “prateleira do amor” que é quando tentamos nos encaixar ou quando queremos atender um padrão para ser desejadas e ter sucesso. E é a nossa posição nessa prateleira que define se somos preferidas ou preteridas. "Ser escolhida é sempre um valor relacional, ou seja, produzido na comparação com outras mulheres disponíveis também nessa prateleira simbólica", afirma a doutora.

O oposto da rivalidade feminina é a sororidade.

E é nisso que devemos nos apegar, na ideia de que todas podemos brilhar, de que o sucesso de outras não significa a nossa derrota, de que a sua beleza não diminui a minha. De que não há fórmula do sucesso para ser seguida e que ao invés de nos comparar, precisamos olhar para dentro, para o que realmente desejamos e que vai nos fazer felizes, mesmo quando ninguém estiver olhando.

E quer satisfação melhor do que ser uma mulher que levanta outras?

 

Não enxergue outras mulheres como rivais, como ameaça. Não critique ou julgue outras mulheres por sua aparência, não duvide ou culpe outra mulher que pode ser vítima de assédio ou violência sexual.

Juntas somos mais fortes e a vida não é uma corrida que precisamos vencer para estar num pódio de categorias “a mais bonita”, “a mais bem sucedida”. A vida é sobre se relacionar de forma significativa com as pessoas, permitir se emocionar, tocar os outros com aquilo que passamos de bom.  A vida deve ser um passeio agradável.

Faça sua caminhada de forma leve, sem comparação e sem rivalidade.

 

Unsplash/Hannah Busing

Ansiedade? Temos

Como você está? Ansiosa? Deprimida? Ansiosa e deprimida? Pois é, estamos todas um pouco (ou muito) assim.

Sentir alguma ansiedade é normal.

Lembra quando você era pequena e tinha aquele sentimento antes do primeiro dia de aula? Um misto de emoções que podia conter uma dose medo e de felicidade, tudo somado a uma grande expectativa do que estava por vir? Essa é uma manifestação até esperada da ansiedade. Primeiro dia de aula, uma entrevista de emprego, são situações em que é natural ficar agitada.

E qual sua reação nesse caso: você acabou de se deitar na cama, prontinha para o sono de beleza, mas percebe que recebeu uma mensagem no celular. Você consegue deixar para ver no dia seguinte ou pre-ci-sa ver do que se trata?

O fato é que a ansiedade taí, já faz um bom tempo e é quase inerente a essa existência moderna. Você pode ser Millennial, Gen Z, cringe ou não cringe, todos estamos suscetíveis a sofrer com a ansiedade, em graus maiores ou menores. Temos até muitas músicas que falam sobre ansiedade, de Tori Amos à Florence + The Machine e Rihanna.

Como não ficar ansiosa em um mundo cada vez mais competitivo, com tantas inseguranças, com injustiças, quando somos tão expostas a notícias ruins o tempo todo, onde somos muito cobradas pelos outros e talvez até mais por nós mesmas? Um mundo onde até a Britney precisa lutar para ter controle sobre sua vida? Parece que tá tudo errado.

 

 

E advinha só, se nascer no Brasil já vem acompanhado de algumas emoções extras, somos também o país com mais pessoas com ansiedade segundo a OMS, situação que se agravou bastante na pandemia. Em outros países o aumento percentual de sintomas de ansiedade foi de 30%, e por aqui 80%.

Também lidamos com um novo fenômeno pandêmico, chamado de “síndrome da gaiola”, termo criado pelo psiquiatra da infância e adolescência da Associação Brasileira de Psiquiatria Gabriel Lopes. A síndrome é a fobia de sair de casa pela qual muitos jovens já estão passando. Quem estuda o comportamento de crianças e adolescentes ressalta a importância das relações sociais e a interação com o mundo exterior para o seu desenvolvimento, mas isso se aplica a todos nós. Nascemos para viver o mundo, não se esconder ou fugir dele.

Voltando aos cenários onde a ansiedade é justificada, como diferenciar a ansiedade normal do transtorno de ansiedade?

Geralmente é a frequência e a intensidade dos sintomas que definem se estamos passando por um episódio de ansiedade ou pelo transtorno, que pode se reverter até em manifestações físicas como taquicardia, falta de ar e síndrome do pânico.

 

Crédito: Unsplash/Tonik

Uma boa interpretação da ansiedade é a que fala sobre não viver no presente. Ou estamos em um estado de aflição com expectativas de um evento futuro ou angustiadas pensando demais sobre algo do passado. Duas situações em que não dá para fazer nada: não podemos mudar o passado nem prever o futuro. Por isso é tão importante tentar puxar a nossa mente de volta ao momento presente.

 

A ansiedade também se manifesta na forma de tudo parecer muito maior e mais difícil do que realmente é. Nos sentimos inseguras, despreparadas ou mesmo desmotivadas a lidar com alguma situação.

Também é frequente a sensação de que sempre o pior cenário possível é o que vai ocorrer.

O problema de sentir tudo isso, ainda mais nesse momento atípico de isolamento que estamos vivendo, é cair nos ciclos da ansiedade:  ficamos ansiosas com as coisas que temos para fazer e não conseguimos fazer o que precisamos porque estamos ansiosas.

Nesses momentos, devemos lembrar que a vida deve ser lúdica e divertida. Que podemos viver o presente, sem sofrimento ou expectativas, apenas fazendo o que está ao nosso alcance.

Separamos aqui algumas dicas para lidar com os momentos de ansiedade no seu dia:

- Faça exercício físico - 5 minutinhos que seja (5 minutos dá para encaixar até na mais apertada rotina). Não pensando em performar, em emagrecer, em ganhar massa muscular, absolutamente nada disso. Apenas mexa o seu corpo, ative a circulação, sinta que está em movimento

- Faça uma atividade criativa – pode ser pintar, desenhar, dançar (bônus de 2 em 1 pois é criativo e exercício), tocar um instrumento, montar um quebra-cabeça, qualquer coisa que exija sua atenção e que seja agradável ao mesmo tempo

- Exercícios de respiração – focar na sua respiração é um ótimo jeito de se estar no presente, não à toa quem começa a meditar invariavelmente precisa prestar atenção nela

- Brincar com seu cão, gato, filho, afilhado, sobrinho...  – tem forma melhor de liberar serotonina e dopamina?

- Fazer listas – às vezes nossa dificuldade de focar é tão grande que o simples fato de organizar os pensamentos e pendências em uma lista faz toda a diferença. E se não for uma lista com coisas a fazer, que seja uma sobre as coisas que você tem a agradecer. Ela vai ser muito importante em outras crises, porque temos a tendência de maximizar nossos problemas e não valorizar o que temos

- Tire um tempo para você, mesmo que isso signifique cancelar compromissos, dar aquela sumida, se desconectar, tirar um cochilo no meio da tarde. Essa recarga de bateria faz toda a diferença

- Invista na comfort food, aquela comida ou quitute que aquece o coração, como o seu doce favorito ou um chá bem quentinho.

- Por último e talvez mais importante: se cobre menos. Não compare a sua vida com a de outras pessoas, não se sinta para trás, não queira competir. Você está trilhando o seu caminho, com os seus erros, seus acertos, sua história. Você é a protagonista. Acredite que você vai chegar aonde quer e não tenha pressa para isso. Aproveite o caminho.

 

Essas são algumas dicas que estão ao alcance e que podem ajudar no seu dia a dia, mas não podemos deixar de falar sobre a terapia como uma ferramenta muito importante para diversos aspectos da saúde emocional. Se você sentir que tudo está difícil demais para lidar sozinha, não hesite nem por um segundo em procurar ajuda. Não há nenhuma vergonha nisso, pelo contrário, reconhecer e ir atrás desse suporte demonstra muita força.

Mesmo se não estiver sentindo isso agora, você é mais forte que a sua ansiedade!